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Exame de sangue ajuda a detectar sinais de Alzheimer, afirmam pesquisadores dos EUA

Exame de sangue ajuda a detectar sinais de Alzheimer, afirmam pesquisadores dos EUA

Já pensou em um exame de sangue que ajuda a diagnosticar os sinais de Alzheimer? Os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington localizada em Seattle, nos EUA, desenvolveram um estudo promissor sobre assunto e encontraram um exame que tem excelente precisão para  detectar as placas amiloides associadas à doença, até nos casos em que os pacientes não apresentam sintomas de declínio cognitivo.

A Doença de Alzheimer (DA), também classificada como Mal de Alzheimer, é uma doença progressiva que causa danos permanentes aos pacientes. Por isso, a detecção precoce dos sinais que indicam a presença da enfermidade é muito necessária para ser decidido o melhor plano de tratamento da pessoa que vive com essa doença.

A seguir, confira  as principais etapas do estudo!

Precisão no diagnóstico de Alzheimer: pontos de partida

O principal objetivo da pesquisa dos cientistas consistiu em determinar a precisão diagnóstica do Alzheimer, a  partir de um ensaio  plasma sanguíneo (Aβ42/Aβ40), classificando as placas amiloides PET  e os emaranhados neurofibrilares que caracterizam a doença.

A metodologia aplicada consiste no estudo de coorte e  para a realização do estudo foram selecionados 465 participantes que residem nos seguintes países: Estados Unidos, Austrália e Suécia.  As amostras de plasma foram analisadas a partir de um ensaio de espectrometria de massa de imunoprecipitação de alta precisão (IPMS), com posterior comparação aos padrões de referência de PET amiloide e CSF Aβ42/Aβ4.

Os cientistas concluíram que o plasma Aβ42/Aβ4 teve boa concordância com o status de PET amiloide e isso melhorou com a inclusão do status de pessoas que possuem o gene apoE (um dos principais fatores de risco para o Alzheimer). A AUC do plasma Aβ42/Aβ4 com status amiloide também melhorou nessas mesmas condições. 

Em síntese: os resultados foram consistentes,  nas análises dos três países, mesmo com diferenças nos protocolos de coleta e de processamento do sangue. A pesquisa também destaca que o ensaio teve desempenho semelhante não só em pessoas com o desenvolvimento cognitivo como também nas pessoas que apresentaram sinais de declínio na cognição.

Critérios para escolha dos participantes

Para selecionar os participantes do estudo, os pesquisadores recorreram à técnica de amostra de conveniência e à ajuda das seguintes iniciativas: Neuroimagem da Doença de Alzheimer (ADNI), Estudo Australiano de Imagem, Biomarcadores e Estilo de Vida (AIBL) e estudo sueco BioFINDER.

Todos os participantes precisavam ter pelo menos uma amostra de plasma armazenada e um exame de PET amiliode há 1 ano (considerando esse tempo para a coleta da amostra). Foram consideradas todas as pessoas, independentemente do seu estado cognitivo.

Resultados do exame de sangue na detecção  de sinais de Alzheimer

Ao analisar as amostras dos pacientes, os pesquisadores criaram três categorias de diagnóstico que dialogam com os 3 grupos da coorte. São elas:

  • Cognitivamente intacta (CN);

  • Preocupação significativa com a memória (SMC);

  • Comprometimento cognitivo leve (MCI).

Importante: no estudo, o comprometimento cognitivo foi definido a partir de evidências objetivas e não sintomas subjetivos. A abordagem está alinhada com os critérios do National Institute on Aging-Alzheimer’s Association.

O desempenho do ensaio do IPMS  Aβ42/Aβ4 no plasma teve resultados semelhantes nas coortes dos Estados Unidos, Europa e Austrália. Os pesquisadores usaram amostras de 3 estudos de Doença de Alzheimer, com protocolos distintos e concluíram que o exame de sangue Aβ42/Aβ4, desenvolvido a partir da técnica de espectrometria de massa fornece resultados altamente precisos e consistentes que permitem identificar sinais de Alzheimer e em pessoas que podem ou não ser prejudicadas cognitivamente.

Expectativas e avanços para a ciência no tratamento de Alzheimer

O ensaio aplicado à pesquisa foi desenvolvido comercialmente e já está sendo usado por médicos na detecção de placas amiloides e auxílio no diagnóstico de demência e sinais de Alzheimer.

A criação de um exame de sangue que ajuda a detectar os sinais da doença é significativa para a ciência, pois além de  reduzir o tempo e os custos no diagnóstico, também permite que os médicos e seus pacientes reflitam mais sobre as novas opções de tratamento.

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Referência

1.Yan Li et al, Validation of Plasma Amyloid-β 42/40 for Detecting Alzheimer Disease Amyloid Plaques, Neurology (2021). Disponível em: https://n.neurology.org/content/98/7/e688. Acesso em 23/02/2022

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