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O assédio na Residência Médica e a mediação como método de resolução de conflitos

O assédio na Residência Médica e a mediação como método de resolução de conflitos

Segundo a CREMESP (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), mais de 40% dos estudantes de residência médica sofrem de assédio moral, fazendo com que muitos estudantes mesmo após terem sido aprovados em seus estudos, desistam da carreira por sofrerem este abuso que infelizmente não poderia ser normal hoje em dia, mas é tratado como se fosse.

Para muitos e muitas, o assédio moral no ambiente de trabalho ainda é uma realidade. E dentro e fora da Medicina, essa prática de abuso e pressão dos profissionais precisa ser discutida e, principalmente, combatida, e a utilização de MASCs (Métodos Alternativos Solução de Conflitos) pode ser uma alternativa senão A alternativa para dissipar dentre os residentes e seu ambiente de trabalho este mal que os assola.

O assédio moral pode acontecer entre os residentes, entre hierarquias, tempo de efetivo exercício no ambiente de trabalho, chefia, e até mesmo referenciando críticas ao porte físico, psicológico e intelectual dos estudantes.

Nos últimos três anos, o CREMESP recebeu 12 denúncias de situações abusivas entre colegas e até superiores, que trouxeram, ao longo dos trabalhos desenvolvidos pelos residentes, sequelas inclusive de origem psíquica.

O CREMESP lançou o livro “Assédio Moral na Formação Médica: conscientizar para combater“, nos quais relatam em seu contexto os principais índices de assédio, um estudo que reverenciou pesquisas internacionais apontando a prevalência de 59,4% na formação médica, e a maior taxa de assédio entre os residentes, acreditem 63,4%.

A principal modalidade de “discriminação” é a de diversidade de gênero. 14.405 formandos em medicina dos Estados Unidos, foram entrevistados em pesquisa colaborativa em que, deste total, 33% relatou ter ouvido comentários sexistas, racistas ou referenciando o sexo, identidade de gênero, orientação sexual, raça ou etnia como os principais fatores.

Uma classe “da saúde” que não leva em consideração o próprio colega que se forma e precisa trabalhar pra custear seu novo caminho, mas que precisa encontrar uma estrutura emocional pra conseguir vencer as divergências do dia a dia, mas como encontrar uma forma de cortar este mal pela raiz?

A Mediação é um procedimento de resolução de conflitos reservado para as relações continuadas, em que o Mediador na sua atuação de orientador, deve ter sempre em mente que a relação entre as partes não se encerrará com a solução daquele conflito específico. As partes são tratadas como pertencentes ao mesmo grupo social cujo convívio permanecerá, neste caso, entre as relações no ambiente hospitalar, que necessitam da busca de um diálogo para sanar o problema e conseguir harmoniosamente conviver no ambiente de trabalho.

O Mediador é um profissional formado para a gestão de conflitos, com a tarefa de facilitar o diálogo entre as partes, ajudando-as a construir uma solução pacificadora. A Mediação é aplicada em várias situações sociais, dentre as quais se incluem:

  • Ambiente da Saúde
  • Direito de Família e Sucessões
  • Sucessão Empresarial Familiar
  • Convívio Condominial
  • Ambiente Laboral Empresarial ou Escolar

Os conflitos existem, inúmeros por sinal, mas quais técnicas o mediador deve utilizar?

Existem diversas técnicas que não são propriamente do direito, mas conseguem se adaptar bem em uma situação de mediação, na área da saúde, entre internos da residência médica e os seus pares, sejam eles chefes ou colegas de profissão.

Conheça as principais técnicas:

  1. Escuta ativa
  2. Parafraseamento
  3. Rapport
  4. Caucus
  5. Brainstorming

Elas são utilizadas para que as partes sintam-se acolhidas e criem um maior vínculo com o mediador.

São estratégias que você pode aprender em cursos de mediação que podem ser oferecidos aos hospitais e funcionários para que aprendam a conviver e a disseminarem a pacificação, colocando-se no lugar do outro, assim podem se desenvolver melhor como profissionais, desde ao atendimento aos pacientes que ficam ansiosos pelo atendimento, a um erro médico ou uma eventual discordância/conflitos gerados.

O Conselho Nacional de Justiça em sua Resolução 125/2010, estabelece sobre a Política Judiciária e a Extrajudicial Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses. Tornando prático e célere assegurando a todos o direito à solução dos conflitos por meios adequados à sua natureza e peculiaridade.

Portanto acredita-se que a mediação dentro dos primórdios, seria a plataforma adequada para dirimir os conflitos dentro da área da saúde, principalmente no que tange o assédio moral, assim dissipando de forma cristalina todo atrito, e trazendo para si, quais são as maiores vantagens de se utilizar a mediação como forma de resolução dos conflitos, sendo elas: a rapidez; a economia; a criação de uma relação amistosa, harmônica entre as partes; desentrave do Poder Judiciário; sigilo do processo; desentrave de desentendimentos e a pacificação social.

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Referências

Bobroff MCC, Martins JT. Assédio moral, ética e sofrimento no trabalho. Rev. Bioét. 2013;(2):251-258.

Tolfo SR, Oliveira RT, organizadores. Assédio moral no trabalho: características e intervenções. Florianópolis, SC: Lagoa Editora; 2015.

Belfiore Elio, Vattimo Edoardo Filippo de Queiroz, organizadores. Assédio Moral na Formação Médica: Conscientizar para combater, Cremesp, 2019.

 

 

Academia Médica
Angela Soraia Anselmo da Silva
Angela Soraia Anselmo da Silva Seguir

Doutoranda em Mediação, Conciliação e Arbitragem pela IESS – Curitiba/PR; Bacharel e Mestre em Mediação, Conciliação e Arbitragem pela IESS – Curitiba/PR; Pedagoga; Bacharel em Direito, pela Fema/Assis, especialista em Bioética e Direito Médico.

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