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É preciso melhorar o atendimento médico prestado às pessoas transgênero

É preciso melhorar o atendimento médico prestado às pessoas transgênero

Quase 3 milhões de pessoas que vivem no Brasil — 2% da população adulta — se identificam como transgêneros ou não-binários segundo uma pesquisa realizada pela  Faculdade de Medicina de Botucatu. Isso significa que é preciso falar sobre saúde dessa população, considerando todas especificidades que as pessoas trans e não-binárias vivem.

 Nesse texto você verá:

  • Panorama do atendimento médico a transgêneros;
  • Risco de morte dessa população devido a falta de acompanhamento médico;
  • Como conduzir e melhorar o atendimento de transgêneros.

Cerca de um terço das pessoas trans relatam ter tido interações negativas com médicos em consultas, segundo uma pesquisa do Centro Nacional para a Igualdade Transgênero.

Os relatos abordaram desde a necessidade de educar o profissional da saúde sobre a saúde dos transgêneros, recusa do médico em tratá-los, até o assédio verbal e agressão física ou sexual. Com isso, o medo de maus-tratos impediu que 23% das pessoas que responderam à pesquisa procurassem atendimento.

Além do descaso e mau atendimento dentro do consultório, outro empecilho para que  pessoas trans busquem atendimento médico é o preconceito e como elas se sentem quando estão sentados em salas de espera de consultórios médicos, principalmente em ginecologistas e urologistas.

Homens transgêneros precisam de cuidados ginecológicos, assim como mulheres transgêneros necessitam urologistas. Com urologistas ainda há um agravante: a área é popularmente conhecida por ser de médicos homens tratando homens, mesmo que pessoas de todo o espectro de gênero possam precisar e procurar atendimento para problemas urológicos. 

Diante dessas barreiras, pessoas transgênero não procuram cuidados de saúde e isso pode ser uma das razões pelas quais o seu risco de morte, devido a várias causas, é duas vezes maior do que naqueles que não são transgêneros, de acordo com um estudo holandês publicado em 2021, baseado em cinco décadas de dados sobre transgêneros adultos que recebem tratamento hormonal.

Para cuidar da saúde física e mental, é fundamental que esses indivíduos tenham um seguimento médico com urologistas e ginecologistas pelo menos uma vez por ano, além de ter um médico de cuidados primários.

É necessário que a anamnese e a consulta sejam adaptadas exclusivamente ao paciente. Segundo a Dra. Jaime Cavallo, urologista da Yale Medicine, para realizar o rastreamento de doenças, o profissional de saúde precisa:

• Descobrir se o paciente realiza terapia hormonal e entender qual categoria de terapia é essa;

• Entender qual é a duração do tratamento hormonal e com qual idade o paciente iniciou a terapia hormonal;

• Identificar a quais cirurgias o paciente foi submetido.

Além disso, recomenda-se que o profissional da saúde deve orientar, assim como orienta para os pacientes cisgêneros, a necessidade de coletar os exames preventivos contra o câncer do colo do útero para aquelas que tem útero e realizar exames contra o câncer de mama para mulheres designadas ao nascer e mulheres transgêneros, bem como exames de HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis para todas as pessoas transgênero.

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Referências 

  1. JORNAL DA UNESP. Estudo pioneiro na América Latina mapeia adultos transgêneros e não-binários no Brasil. Nov 2021. Disponível em https://jornal.unesp.br/2021/11/12/estudo-pioneiro-na-america-latina-mapeia-adultos-transgeneros-e-nao-binarios-no-brasil/. Acesso em 29 de março de 2022.

  2. MEDICAL XPRESS. What does medical care look like when you're transgender? Disponível em https://medicalxpress.com/news/2022-03-medical-youre-transgender.html. Acesso em 29 de março de 2022.

 

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