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Por que sentimos mais fome no frio?

Por que sentimos mais fome no frio?
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ago. 16 - 4 min de leitura
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O estudo, publicado na revista Nature em 16 de agosto de 2023, foi conduzido por pesquisadores do The Scripps Research Institute em La Jolla, CA, USA. Eles identificaram circuitos cerebrais que estimulam o desejo dos mamíferos de comer mais quando expostos a temperaturas frias, lançando luz sobre uma reação biológica fundamental para a compreensão da relação entre temperatura e metabolismo.

Todos os mamíferos, incluindo os seres humanos, gastam mais energia para manter a temperatura corporal normal em climas frios. Este acréscimo automático no gasto de energia, causado pelo frio, desencadeia um aumento na fome, embora até agora, os mecanismos específicos por trás desse fenômeno fossem ainda um mistério.

 A pesquisa, então, destacou um aglomerado de neurônios que atua como uma "chave" para esse comportamento de busca de alimento relacionado ao frio em camundongos. A descoberta poderia abrir caminho para terapias potenciais voltadas para a saúde metabólica e a perda de peso.

A ideia de usar a exposição ao frio como método para perder peso e melhorar a saúde metabólica não é nova. No entanto, a resposta evolutiva dos humanos ao frio não foi concebida com a perda de peso em mente, mas para garantir a sobrevivência em tempos de escassez de alimentos. É por isso que, assim como dietas e exercícios, o frio aumenta o apetite para neutralizar qualquer efeito de perda de peso.

O time de pesquisadores, liderado pelo Dr. Li Ye, observou que os camundongos só começavam a buscar mais alimentos cerca de seis horas após serem expostos ao frio, o que sugere que essa resposta não é uma consequência direta da percepção imediata do frio. A equipe utilizou técnicas avançadas de neuroimagem para analisar a atividade dos neurônios sob condições frias e quentes. Uma observação crucial foi a identificação de uma atividade neuronal intensa no núcleo xifoide do tálamo médio justamente antes dos camundongos iniciarem sua busca por alimento.

Ao manipular a atividade desses neurônios, os cientistas puderam controlar a busca de alimento pelos camundongos, reforçando o papel desse conjunto específico de neurônios no comportamento alimentar relacionado ao frio. Importante também é a descoberta de que esses neurônios do núcleo xifoide projetam-se para uma região cerebral conhecida como núcleo accumbens, amplamente reconhecida por seu papel na integração de sinais de recompensa e aversão que direcionam comportamentos, incluindo a alimentação.

Este estudo, além de expandir nosso entendimento sobre a neurobiologia do apetite e consumo de energia, pode ter implicações clínicas significativas, apontando para novas estratégias terapêuticas no combate à obesidade e melhora da saúde metabólica. Dr. Ye e sua equipe agora estão focados em descobrir como dissociar o aumento do apetite do aumento do gasto de energia, explorando se esse mecanismo está ligado a outras formas de gasto energético, como o exercício.

Estas descobertas aprofundam nossa compreensão sobre a complexa interação entre ambiente, metabolismo e comportamento. Revelando os intricados mecanismos cerebrais que direcionam nossa resposta ao frio, ganhamos insights valiosos sobre potenciais abordagens terapêuticas e estratégias de bem-estar para o futuro.

Para aqueles que desejam uma compreensão mais profunda no assunto, disponibilizamos aqui o link de acesso ao estudo na íntegra. 



Leia também: 


Referência: 

  • Lal, N.K., Le, P., Aggarwal, S. et al. Xiphoid nucleus of the midline thalamus controls cold-induced food seeking. Nature (2023). https://doi.org/10.1038/s41586-023-06430-9

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