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Tratamentos farmacológicos da obesidade: Avanços e Desafios

Tratamentos farmacológicos da obesidade: Avanços e Desafios
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ago. 2 - 5 min de leitura
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Conforme publicado na Nature (agosto, 2023), foram alcançados avanços notáveis no tratamento da obesidade em 2021 com a aprovação do medicamento Wegovy, também conhecido como semaglutida, pelo Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos. Este medicamento, que simula um hormônio supressor do apetite, demonstrou promessa nos estudos clínicos. Participantes que o utilizaram por mais de um ano alcançaram uma redução média no peso corporal de quase 16%, um resultado substancialmente superior ao obtido com medicamentos anteriores para perda de peso.

Antes de ser recomendada para a obesidade, a semaglutida era utilizada no tratamento de diabete tipo 2, comercializada sob o nome de Ozempic. Com o aumento da prescrição do medicamento para perda de peso, a demanda por Ozempic cresceu consideravelmente, mesmo sem aprovação específica para este fim.

Outros medicamentos promissores para o tratamento da obesidade estão atualmente em desenvolvimento. Um exemplo é o tirzepatide, comercializado como Mounjaro, que já foi aprovado pelo FDA para diabete tipo 2. Este medicamento simula a ação de dois hormônios associados à sensação de fome. O retatrutide, outro composto sendo investigado pela mesma empresa, simula três hormônios e tem demonstrado resultados encorajadores para a perda de peso em ensaios clínicos de médio estágio.

A obesidade, condição cujas taxas triplicaram nos últimos 50 anos, está associada a um risco elevado de diversas complicações de saúde, incluindo diabete tipo 2, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, podendo afetar significativamente a qualidade de vida. Nesse sentido, os medicamentos emergem como uma nova esperança. Embora a ação exata desses medicamentos esteja ainda sob investigação, acredita-se que eles atuem reduzindo o apetite ao ativarem receptores do organismo que simulam o GLP-1, um hormônio que promove a sensação de saciedade.

Diversas empresas estão desenvolvendo atualmente compostos que simulam mais de um hormônio, com pelo menos dez desses medicamentos testados em ensaios clínicos, sinalizando a possibilidade de estarem em breve disponíveis no mercado.

Importante salientar que a medicação para obesidade pode ser benéfica para alguns indivíduos, mas não é uma solução universal. A condição de saúde do indivíduo, suas preferências pessoais e a probabilidade de manter a perda de peso são fatores que devem ser considerados antes de uma intervenção médica.

O debate atual sobre a definição de obesidade trouxe à tona as limitações do Índice de Massa Corporal (IMC), que calcula a relação entre peso e altura de um indivíduo. Críticas ao IMC focam em sua incapacidade de levar em conta a composição corporal, a distribuição de gordura e os fatores genéticos, ambientais e socioeconômicos que influenciam o peso corporal. Como alternativa ao IMC, o Sistema de Estágio de Obesidade de Edmonton ( Edmonton Obesity Staging System -EOSS), proposto em 2009, surge como uma ferramenta promissora. O EOSS classifica a obesidade em uma escala de cinco pontos (de 0 a 4), considerando o estado de saúde médica, mental e funcional do indivíduo. Este sistema visa proporcionar uma avaliação mais individualizada e abrangente da obesidade, permitindo uma tomada de decisão mais informada sobre o tratamento mais adequado, considerando não somente o peso, mas também a saúde geral do paciente.

Devido à complexidade da obesidade, é fundamental adotar uma abordagem diversificada, que pode incluir mudanças no estilo de vida, apoio psicológico, medicamentos e até cirurgia bariátrica, se necessário. Embora os novos medicamentos sejam uma ferramenta adicional eficaz quando utilizados em combinação com outras estratégias, manter um estilo de vida equilibrado, com uma dieta saudável e prática regular de atividade física, continua sendo fundamental para o bem-estar geral e a manutenção de um peso saudável.

Esses medicamentos inovadores para a obesidade representam um progresso significativo no tratamento dessa condição, ao lidar com sua intrincada natureza biológica e modificar a percepção de que a obesidade é apenas consequência da falta de autodisciplina. Eles têm potencial para reduzir as complicações de saúde associadas ao excesso de peso e melhorar a qualidade de vida daqueles que enfrentaram dificuldades com métodos tradicionais de emagrecimento.

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Leia também: 


Referência: 

Nature. (2023). Tackling obesity: new drugs offer hope. Recuperado de https://www.nature.com/articles/d41586-023-02445-4







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