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Além do IMC na previsão do risco de mortalidade

Além do IMC na previsão do risco de mortalidade
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jul. 24 - 4 min de leitura
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De acordo com um recente estudo publicado na revista PLOS ONE e destacado na rede JAMA Network, talvez tenhamos que repensar nossa dependência do Índice de Massa Corporal (IMC) como um indicador singular do risco de mortalidade. Este estudo afirma que o cenário é muito mais complexo, especialmente considerando as crescentes taxas de obesidade e a diversidade étnica da população nos EUA.

O líder do estudo, Dr. Aayush Visaria, do Instituto de Saúde de Rutgers, em Nova Jersey, junto com sua equipe, analisou dados de pesquisas de saúde de 1999 a 2018. A descoberta crucial? Obesidade definitivamente aumenta o risco de mortalidade, mas estar simplesmente acima do peso ou ter um peso saudável não altera significativamente o risco de mortalidade de uma pessoa. Para Visaria, isso destaca a necessidade de incluir outras medidas além do IMC para avaliar a saúde de uma pessoa.

Em junho, a American Medical Association pediu aos médicos que não se apoiem no IMC como o único padrão para determinar um peso saudável. Uma outra descoberta preocupante do estudo foi que, tanto aqueles com IMC extremamente baixo (menos de 18,5) quanto aqueles com IMC muito alto (30 ou mais) experimentaram um salto significativo no risco de mortalidade.

Outra conclusão intrigante veio quando o risco de mortalidade foi dividido por faixa etária. Para aqueles com 65 anos ou mais, ter um peso saudável, estar acima do peso ou ser obeso (até um IMC de 34,9) resultou em um risco de mortalidade semelhante. Interessante, não é? No entanto, é importante lembrar que o estudo tem suas limitações. Francisco Lopez-Jimenez, MD, MBA, apontou que os cálculos do IMC no estudo foram baseados em autodeclarações de peso e altura, que nem sempre são precisas.

O Dr. Carl J. Lavie, diretor médico do John Ochsner Heart and Vascular Institute, ecoou essa preocupação e sugeriu que estudos futuros deveriam incluir outras medidas, como a circunferência da cintura, a força muscular e a aptidão cardiorrespiratória. Em seu parecer, a aptidão física é uma das preditoras mais fortes do risco de morte, especialmente de doenças cardiovasculares.

A conclusão geral parece ser que precisamos de uma abordagem mais abrangente na avaliação do risco de mortalidade. O IMC pode ter seu lugar, mas não pode ser a única medida em que nos apoiamos. Precisamos considerar outros fatores, como a composição corporal que muda com o envelhecimento, que o IMC não leva em conta, como apontou o Dr. John A. Batsis da Universidade da Carolina do Norte.

Entendendo a necessidade de avaliações mais completas, a comunidade médica e de pesquisa pode querer investigar alternativas ao IMC, como a circunferência da cintura ou a relação cintura-quadril. Estas são medidas de gordura corporal que podem ser avaliadas de maneira simples e econômica durante um exame de rotina. A perspectiva que emerge dessas discussões e estudos é a de que uma avaliação mais integrada e abrangente do risco de mortalidade poderia ser benéfica, levando em conta uma série de fatores ao invés de confiar apenas no IMC.



Leia também: 


Referência: 

Visaria, A. (2023). Mounting Evidence Suggests That BMI Isn’t the Only Measure Needed to Predict Mortality Risk. JAMA Network. Recuperado de https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2807645




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