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Uso de citrato de cafeína para hipoxemia intermitente em prematuros tardios

Uso de citrato de cafeína para hipoxemia intermitente em prematuros tardios
Academia Médica
nov. 24 - 4 min de leitura
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Estudo randomizado publicado no British Medical Journal (BMJ) analisou e comparou o uso de citrato de cafeína com placebo para a prevenção de hipoxemia intermitente em prematuros tardios. Segundo o artigo, o citrato de cafeína em dose de 10 ou 20 mg/kg/dia reduziu a taxa média de hipoxemia intermitente em 61% e 67%, respectivamente.

Também, de forma geral, a cafeína não teve efeitos adversos no sono, refluxo gastroesofágico ou alimentação, embora a porcentagem de tempo em que os bebês tiveram taquicardia aumentou, de acordo com relatos anteriores.

Bebês de 34 a 36 semanas e 6 dias de gestação são classificados como prematuros tardios e têm maior probabilidade de serem diagnosticados com paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento e comprometimento cognitivo em comparação com bebês nascidos a termo. Esses prematuros também apresentam episódios frequentes de hipoxemia intermitente, que são quedas repetitivas de saturação de oxigênio ≥10% abaixo da linha de base por menos de dois minutos, não associadas à apneia, mas potencialmente causadoras de hipóxia de órgãos semelhantes.

A frequência desses episódios atinge o pico na idade pós-natal de duas semanas, antes de reduzir para níveis próximos ao nascimento na idade corrigida a termo. Durante o período neonatal, mesmo pequenas alterações nas saturações de oxigênio da oximetria de pulso afetam significativamente a sobrevida e o neurodesenvolvimento de bebês muito prematuros, sendo que eventos hipoxêmicos intermitentes transitórios estão associados a desfechos de neurodesenvolvimento ruins em bebês extremamente prematuros.

A cafeína é eficaz na prevenção e tratamento da apneia da prematuridade e hipoxemia intermitente, reduzindo a incidência de doença pulmonar crônica, paralisia cerebral e atraso cognitivo em bebês muito prematuros. Nesses prematuros extremos, devido à imaturidade hepática, a eliminação da cafeína é lenta e, com o aumento da idade gestacional, a eliminação da cafeína aumenta, sendo necessárias doses maiores para manter o efeito terapêutico.

No estudo publicado pela BMJ, o tamanho do efeito da cafeína em todas as medidas respiratórias foi maior para a dose de 20 mg/kg/dia, com efeitos semelhantes na tolerabilidade da droga à dose de 10 mg/kg/dia. A dose de 15 mg/kg/dia não foi considerada eficaz.

Os únicos parâmetros de crescimento afetados pelo tratamento com cafeína foram o escore z de comprimento, que foi menor no grupo de 20 mg/kg/dia em dias semanas e idade equivalente ao termo, e a velocidade de crescimento do perímetro cefálico, que foi menor no grupo de 5 mg/kg/dia. Em ambos os casos, uma diferença estatisticamente significativa ocorreu apenas em um grupo de dose única e para um único parâmetro, sendo que outros parâmetros relacionados não apresentaram as mesmas alterações. Portanto, parece improvável que a cafeína tenha um impacto significativo no crescimento neonatal geral.

Por fim, o artigo ressalta que uma de suas limitações foi a via de administração de citrato de cafeína. Uma vez que bebês prematuros tardios geralmente receberam a medicação por via oral, o sabor e o volume eram fatores importantes e difíceis de administrar em algumas crianças. Por isso, novos estudos sobre o uso de citrato de cafeína na população de prematuros tardios devem usar uma formulação mais palatável.

Referência:

Oliphant EA, McKinlay CJ, McNamara D, et alCaffeine to prevent ntermitente hypoxaemia in late preterm infants: randomised controlled dosage trialArchives of Disease in Childhood – Fetal and Neonatal Edition Published Online First: 29 August 2022. Doi: 10.1136/archdischild-2022-324010

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