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A Medicina e a Doença

A Medicina e a Doença

Aos 4 fiquei diabética. Minha mãe – psicóloga – passou a ler tudo o que havia na literatura. Sacam aquele filme"O Óleo de Lorenzo"? Minha mãe fez a mesma coisa com o Diabetes tipo 1. Pela casa, DEZENAS de gráficos com os picos das insulinas. "Foram as células beta!", dizia ela.

Mamãe – boa em matemática – sabia as horas que provavelmente eu teria hipoglicemia. Passei a infância com o diabetes na ALMA. Algo meio matemático, simbiótico.... Era uma doença de números, unidades, gráficos... Livros, dezenas deles pela casa... Minha mãe me amava a ponto de desenvolver uma anorexia alimentar. Tinha um extremo medo de me perder.

Com o tempo, em torno dos 10 anos, pedi para assumir o controle da doença. E isso foi muito bem até a adolescência (Ô fase! rs) Foi aí tudo ficou bagunçado. Virei uma rebelde sem causa, até hoje.

Dizem que diabéticos tem um determinado tipo de personalidade. Temos, sim. Todos com doenças crônicas têm. Dependência do outro, medo da morte. Não há como negar. A gente se confunde com a doença. Seremos sempre "diferentes".

O nome CÉLULA (BETA) me acompanha desde a minha alfabetização. Não é de se estranhar que só consegui me senti feliz na Medicina! E, por causa do Diabetes, posso dizer que eu já vivenciei um pouco de tudo (rs). Já fui internada com bacteremia, já tive pneumonia hospitalar. Ixe! Já tomei também um pouco de todos os fármacos. De fato, na Medicina eu tenho aquela sensação de "eu sei o que você está passando, porque já passei por isso" quando vejo um doente..

Será que eu seria outra se não fosse Diabética? Gosto de onde estou, apesar de Medicina ser uma faculdade pesada. A Medicina está me ensinando algo que é tão difícil para quem tem doença crônica: CRESCER. Ela está me tornado adulta. E isso dói!

Academia Médica
Marcela da Silveira Rocha
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Estudante de Medicina Universidade Nove de julho - GRU

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