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Deixe o saleiro de lado para viver mais!

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Adicionar sal aos alimentos é um comportamento alimentar comum diretamente relacionado à preferência de longo prazo de um indivíduo por alimentos com sabor salgado e ingestão habitual de sal. De fato, na dieta ocidental, a adição de sal à mesa representa de 6 a 20% da ingestão total de sal. Ademais, sabe-se, há muito tempo, da relação entre a ingestão de sódio e a fisiopatologia da hipertensão arterial.

Pessoas que adicionam sal extra às refeições na mesa correm maior risco de morrer por qualquer causa de forma prematura, segundo um estudo com mais de 500.000 pacientes, publicado no European Heart Journal.

Os pesquisadores avaliaram um total de 501.379 participantes do UK Biobank, do Reino Unido, que completaram o questionário sobre a frequência de adição de sal aos alimentos na linha de base. As informações sobre a frequência de adição de sal aos alimentos (não incluindo o sal usado na culinária) foram coletadas por meio de um questionário. 

Ao ingressar no estudo entre 2006 e 2010, os participantes foram questionados se adicionavam sal aos alimentos na mesa (i) nunca/raramente, (ii) às vezes, (iii) geralmente, (iv) sempre, ou (v) preferiram não responder. Aqueles que preferiram não responder foram excluídos da análise. Os pesquisadores ajustaram suas análises para levar em conta fatores que podem afetar os resultados, como idade, sexo, raça, privação, índice de massa corporal (IMC), tabagismo, ingestão de álcool, atividade física, dieta e condições médicas como diabetes, câncer e doenças do coração e dos vasos sanguíneos. Eles acompanharam os participantes por uma média de nove anos. A morte prematura foi definida como morte antes dos 75 anos.

Eles então encontraram relações graduais entre maior frequência de adição de sal aos alimentos e maiores concentrações de sódio urinário pontual ou excreção de sódio estimada em 24 horas. Durante os 9 anos de acompanhamento, 18.474 mortes prematuras foram documentadas.

Eles observaram que, em comparação com aqueles que nunca ou raramente adicionavam sal, pacientes que sempre adicionavam sal à comida tinham um risco 28% maior de morrer prematuramente. 

Além disso, o estudo encontrou uma expectativa de vida menor entre as pessoas que sempre adicionaram sal em comparação com aquelas que nunca ou raramente adicionaram sal. Aos 50 anos, 1,5 anos e 2,28 anos foram retirados da expectativa de vida de mulheres e homens, respectivamente.

Os autores do estudo descobriram também que a ingestão de frutas e vegetais modificou significativamente as associações entre a frequência de adição de sal aos alimentos e mortalidade prematura por todas as causas, que foram mais pronunciadas em participantes com baixa ingestão do que naqueles com alta ingestão desses alimentos.

O estudo foi o primeiro a avaliar a relação entre a adição de sal aos alimentos e a morte prematura, e fornece novas evidências para apoiar recomendações de modificação de comportamentos alimentares para a melhora da saúde. Mesmo uma redução modesta na ingestão de sódio, adicionando menos ou nenhum sal aos alimentos à mesa, provavelmente resultará em benefícios substanciais para a saúde, especialmente quando alcançado na população em geral, concluem os autores.

 

 

O estudo apresenta, no entanto, algumas limitações, que incluem: a possibilidade de que a adição de sal aos alimentos seja um indicativo de um estilo de vida pouco saudável e de menor status socioeconômico, embora as análises tenham tentado ajustar isso; não havia informações sobre a quantidade de sal adicionado; a adição de sal pode estar relacionada à ingestão total de energia e entrelaçada com a ingestão de outros alimentos; a participação no UK Biobank é voluntária e, portanto, os resultados não são representativos da população geral. Desta forma, os autores concluem que são necessários mais estudos para confirmar os achados em outras populações.

 

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Referências:

Hao Ma, Qiaochu Xue, Xuan Wang, Xiang Li, Oscar H Franco, Yanping Li, Yoriko Heianza, JoAnn E Manson, Lu Qi, Adding salt to foods and hazard of premature mortality, European Heart Journal, 2022;, ehac208, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehac208 Disponível em https://academic.oup.com/eurheartj/advance-article/doi/10.1093/eurheartj/ehac208/6623278?rss=1&login=true

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