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Como melhorar a adesão ao tratamento farmacológico da hipertensão?

Como melhorar a adesão ao tratamento farmacológico da hipertensão?

 

O controle subótimo da pressão arterial em pacientes em tratamento para a hipertensão pode ser causado pela não adesão à farmacoterapia. A adesão aos medicamentos é um processo complexo para a qual existem diversas barreiras. O primeiro passo é estar ciente da magnitude da não adesão e avaliá-la rotineiramente. Ao longo da jornada do paciente no manejo da hipertensão, a tomada de decisão compartilhada, a educação do paciente e a promoção do automonitoramento podem evitar a não adesão.

O médico deve também estar atento em relação às seguintes práticas:

• Busca da redução e simplificação do uso de medicações;

• Uso de soluções eletrônicas/digitais;

• Trabalho conjunto com  uma equipe multidisciplinar de apoio, incluindo farmacêuticos, a fim de ajudar o paciente a manter a persistência com a terapia médica. 

Todas as estratégias exigem, em última análise, um relacionamento forte e confiável entre o paciente e o profissional de saúde.

Quando suspeitar de não adesão?  Há alguns sinais de alerta para os  profissionais de saúde identificarem quando o paciente não está seguindo o tratamento adequado. São eles: os pacientes apresentam aparente falta de eficácia com seu tratamento; hipertensão lábil, múltiplos efeitos adversos e hipertensão resistente (hipertensão não controlada, apesar das doses ótimas, ou melhor, toleradas de 3 ou mais drogas anti-hipertensivas, incluindo um diurético). 

A maioria dos pacientes se beneficiaria de uma avaliação da adesão antes de atingir o estado de hipertensão aparente resistente. Sabe-se que a persistência com o tratamento diminui com o tempo. Ao mesmo tempo, o aumento do número de medicamentos que levam à polifarmácia eleva a ocorrência de não adesão.

Afinal, como mensurar a adesão ao tratamento medicamentoso?

Há várias maneiras através das quais o médico pode avaliar a adesão, embora não sejam necessariamente aplicáveis ​​a todos os pacientes em todas as fases do tratamento da hipertensão.

Em muitos casos, de uma discussão franca em uma simples consulta sem julgamento ou do autorrelato de um paciente pode surgir sobre questões que afetam a adesão aos medicamentos. Por meio de questionários detalhados, como a escala de adesão de Morisky, pode-se obter mais informações sobre alguns pacientes. No entanto, esses métodos são subjetivos e tendem a superestimar a adesão. 

O médico pode utilizar também o teste de aderência química usando amostras biológicas, como amostras de urina e plasma, que podem ser usadas para avaliar a presença de medicamentos, qualitativa e quantitativamente, fornecendo assim uma forma mais robusta de confirmar a adesão.

Importante: fatores farmacocinéticos dos medicamentos também podem impactar nos resultados, principalmente no caso de adesão parcial, e medicamentos de ação prolongada podem ser encontrados na urina muito tempo depois de terem sido tomados, dando a impressão de adesão completa. A terapia de observação direta realizada em uma unidade de saúde pode ser considerada o padrão-ouro, embora o processo seja trabalhoso para o paciente e para o médico.

Quais são os fatores que afetam a adesão ao tratamento anti-hipertensivo?

A adesão a qualquer terapia é um processo de várias etapas baseado na avaliação do próprio paciente das recomendações recebidas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu cinco dimensões que contribuem para a não adesão. No âmbito socioeconômico, os fatores se relacionam com o paciente, com a terapia, sua condição e saúde. Não é incomum que um paciente tenha mais de um fator que contribui para a não adesão.

Alguns desses fatores podem ser prevenidos por meio da educação em saúde, tomada de decisão compartilhada para tratar e promoção do autocuidado e autogestão. 

Situações como falta de moradia, comorbidades que necessitam de polifarmácia como tratamento, abuso de drogas/álcool e fragilidade social podem ser identificados e explorados no início do tratamento. Outros fatores surgem à medida que o paciente progride em sua jornada de manejo da hipertensão.

Melhorar o acesso aos cuidados de saúde e reduzir os custos de prescrições e medicamentos irão, sem dúvida, melhorar a adesão. Tornar o manejo da hipertensão uma prioridade e recompensar os profissionais de saúde por alcançar ou melhorar as taxas de hipertensão controlada pode ser uma maneira eficaz de reduzir a inércia do médico, embora isso possa não ser rentável em alguns sistemas de saúde. 

A criação de uma abordagem de equipe multidisciplinar integrada e centrada no paciente pode ajudar a melhorar as jornadas do paciente e melhorar a saúde cardiovascular. 

A adesão ao tratamento na hipertensão é uma ação ancorada em múltiplos fatores, incluindo a educação sobre hipertensão, efeitos colaterais percebidos aos medicamentos e a relação com o profissional de saúde. É importante prevenir a não adesão desde o início, ou seja, no momento do diagnóstico, usando um processo de tomada de decisão compartilhado, bem como educar o paciente.

Ao longo da jornada do paciente as perspectivas mudam, e é vital avaliar continuamente os fatores que afetam a adesão subjetiva e objetivamente de forma não julgadora, usando as melhores ferramentas disponíveis para isso. Nenhuma oportunidade deve ser perdida para capacitar os pacientes, promover o autocuidado, educá-los e fornecer estratégias para reduzir a não adesão. 

Neste sentido, várias estratégias podem ser implementadas, desde iniciativas em todo o sistema, como prescrições gratuitas para hipertensão, incentivos para médicos na melhoria da hipertensão controlada em pacientes tratados e desenvolvimento de uma equipe multidisciplinar, até soluções focadas no paciente, incluindo aconselhamento, uso de lembretes/aplicativos de smartphone, acompanhamento regular, caixas de comprimidos e pílulas combinadas. Por fim, essa abordagem também deve ser empregada para tratamentos não farmacológicos.

 

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Referência

  1. KULKARNI, S; GRAGGABER, J.  How to improve compliance to hypertension treatment. e-Journal of Cardiology Practice, vol. 22, N° 6 - 23 Mar 2022. Disponível em: https://www.escardio.org/Journals/E-Journal-of-Cardiology-Practice/Volume-22/how-to-improve-compliance-to-hypertension-treatment. Acesso em 27 de abril de 2022.

 

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