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Incorporando a metacognição no processo de aprendizado

Incorporando a metacognição no processo de aprendizado

A metacognição é definida pelo processo de "pensar sobre o pensamento", em outras palavras, é o processo que reflete hábitos pessoais, construção do conhecimento e caminhos para o aprendizado. Inicialmente proposta pelos psicólogos Willian James, Jean Piaget e Lev Vygotsky nos anos 70, hoje, após várias pesquisas, podemos aplicar conceitos de metacognição no ensino moderno, no qual é possível utilizar a metacognição como um processo que direciona o aluno ao seu próprio aprendizado e auto-conhecimento. (Ambrose et al, 2010).

Segundo Pintrrich: "existe uma necessidade de ensinar a metacognição explicitamente nas universidades, porque nós somos continuamente surpreendidos com o número de estudantes que chegam as universidades apresentando pouco ou nenhum conhecimento em metacognição, sobre diferentes estratégias, diferentes características cognitivas e nenhum conhecimento sobre si mesmo".

A proposta da metacognição em "aprender a pensar" e "pensar para aprender" vem baseada em estudos que avaliaram o sistema regulatório cerebral e concluíram que utilizamos esses sistemas para entender e controlar nossas próprias capacidades cognitivas. 

Segundo os estudos, existem processos em torno de aprender a aprender. Na maioria das vezes, os estudantes (crianças e adultos) e instrutores desconhecem o que são e o que é necessário para melhorá-los. Esses processos consistem em:

1. Conhecimento de Cognição :

  • a. Consciência de fatores que influenciam sua própria aprendizagem.
  • b. Conhecer estratégias para usar para aprender.
  • c. Escolher a estratégia apropriada para a situação específica de aprendizagem.

2. Regulamento de Cognição

  • a. Definir metas e planejamento.
  • b. Monitorar e controlar a aprendizagem.
  • c. Avaliar o próprio regulamento (avaliando se a estratégia que você está usando está funcionando ou não, fazendo ajustes e tentando algo novo).

Através desse conhecimento, surgiram propostas de questionários e avaliações que procuram objetivar e quantificar o processo de metacognição no aprendizado.

Em 1994, Schraw e Dennison criaram o Inventário de Consciência Metacognitiva  – Metacognitive Awareeness Inventoty (MAI), especificamente para que os adultos aprendessem a consciência do conhecimento metacognitivo e da regulação metacognitiva. O MAI consiste em 52 questões que avaliam esses dois componentes, através de perguntas em que o aluno responde como verdadeiro ou falso itens relacionados a sua forma de encarar um problema, de priorizar certas informações, e sobre como organiza uma estrutura de aprendizado.

Na conclusão das pesquisas de Schraw e Dennison foi visto que havia forte associação para ambos os fatores de metacognição realizando esse questionário e que eles também estavam relacionados.

Pesquisas mais recentes revelaram uma correlação significativa entre o MAI e algumas medidas de desempenho acadêmico (passar em uma disciplina, notas de fim de curso etc.). No entanto, ao observar estudantes de graduação e pós-graduação (adultos, jovens e idosos), descobriu-se que não diferem em suas pontuações médias nas áreas de Conhecimento de Cognição (semelhantes para ambos os grupos), mas diferem em termos de suas estratégias e habilidades de regulação.

O Conhecimento da Cognição é mais facilmente adquirido e melhorado. As estratégias de Regulamentação de Cognição não são tão fáceis de adquirir e, na maioria das vezes, os alunos não melhoram com o tempo em suas pontuações de Regulamentação – porque precisam aprender as estratégias e ter chances de praticar experiências de sala de aula. Sendo assim, os estudos concluem que alunos precisam que seus instrutores mudem o mindset para avaliar a metacognição para ajudá-los a construir suas próprias estratégias em torno da regulamentação da aprendizagem ao longo de uma trajetória de aprendizado.

Em tempos nos quais o universitário aprende superficialmente e retém pouco conhecimento para a aplicabilidade prática, e nos quais escolas médicas focam no aprender aqui e agora, faz-se necessário uma reavaliação do processo de aprendizado. Nosso paradigma atual não prepara o aluno para uma carreira médica duradoura e para uma vida médica. Alguns pesquisadores defendem a incorporação do ensino baseado na prática como um dos fatores para a melhoria do ensino médico, mas sabemos que infelizmente nosso país ainda patina em erros e acertos acerca desse sistema de aprendizado e avaliação. É necessário trazer o aluno para a prática do mundo real, estimular o pensamento crítico e intuitivo que tanto se faz necessário para médicos atualmente. A aplicação de metodologias baseadas em prática clínica, na resolução de problemas e na metacognição que faça o aluno ser estimulado e motivado a pensar não só no processo de definição diagnóstica, mas em todo o caminho no qual ele conseguiu chegar lá é uma proposta que trará conhecimento e aprendizado a longo prazo. 

Sabemos que existem inúmeras limitações para aplicação dessas técnicas: tempo, recursos, dificuldades entre professores e do próprio aluno. Porém todo o processo só muda quando conseguimos pensar criticamente e reavaliarmos seus pontos nevrálgicos. Dessa forma, utilizando a metacognição como avaliadora e promotora de mudanças, sem dúvida é possível trazer benefícios para nossos alunos e também para instituições. 

Referências:

  1. Metacognition in medical education – Keys to developing expertise mark quirk
  2. Ten metacognitve teaching strategies – Centre for Innovation and Excellence in Learing . Liesel knaack and Melissa Robertson 
  3. Metacognition handout - stanford university.edu

 

Leia também os outros artigos da série sobre Ensino Médico, publicado pela Dra. Roberta Fittipaldi.

 


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Medica pneumologista e intensivista. Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Professora da Pós graduação em Terapia Intensiva HIAE. Cursando doutorado em Pneumologia FMUSP. Médica Assistente UTI Respiratória FMUSP.

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