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Repercussões dos desenlaces amorosos no desempenho acadêmico e na saúde emocional de estudantes de medicina

Repercussões dos desenlaces amorosos no desempenho acadêmico e na saúde emocional de estudantes de medicina
Marcos Aurélio S. Oliveira
jun. 1 - 5 min de leitura
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Uma jornada acadêmica de formação médica é notoriamente extenuante. A carga inerente à responsabilidade da profissão e a profundidade do processo de formação instauram um nível considerável de estresse. Somam-se às adversidades emocionais que podem surgir ao longo da vida estudantil, incluindo o término de relacionamentos amorosos. Tendo isso em vista, objetivou-se explorar a literatura existente que poderia corroborar a hipótese de que o fim dos relacionamentos afeta significativamente o desempenho acadêmico, emocional e psicológico dos estudantes de medicina.

Utilizando uma abordagem de revisão sistemática, este estudo analisou publicações nas bases de dados eletrônicas PubMed, Scopus e Web of Science. Os critérios de seleção incluíram artigos publicados nos últimos dez anos, em português ou inglês, que discutem o impacto do término de relacionamentos na experiência acadêmica dos estudantes de medicina. Os artigos foram criteriosamente analisados, fornecendo insights valiosos.

Os resultados apontaram que o fim de um relacionamento pode ter repercussões substanciais na vida acadêmica dos estudantes de medicina. As emoções despertadas por esses acontecimentos podem impedir que os estudantes se envolvam plenamente em suas atividades acadêmicas. Muitas vezes, observam-se altos níveis de estresse, ansiedade, tristeza e depressão, que prejudicam o bem-estar e o desempenho acadêmico. Além disso, esses eventos podem levar ao isolamento social, à falta de concentração, à redução da motivação e à perda de interesse nas atividades acadêmicas. Em casos mais severos, pode haver predisposição ao suicídio.

Esses achados reforçam a importância de desenvolver estratégias de apoio emocional nos ambientes acadêmicos. A criação de centros de apoio ao estudante, que possam fornecer terapias de suporte emocional apropriadas, torna-se crucial.

Uma solução eficaz é a oferta de serviços de aconselhamento ou psicoterapia, proporcionando aos estudantes um acolhimento profissional que leve apoio, orientação e estratégias para gerenciar emoções e lidar com desafios. Além disso, é fundamental promover um ambiente de apoio entre estudantes, professores e colegas, o qual pode ser construído por meio de programas de mentoria, grupos de apoio ou a orientação para ambientes seguros para compartilhamento de experiências.

Dado o peso da profissão e da formação médica, é de suma relevância que haja profissionais focados na promoção da saúde mental e psicológica no contexto educacional dos estudantes de medicina. Deve-se encorajar estes estudantes a prática do autocuidado e do autoconhecimento. A incorporação de hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios físicos, uma alimentação balanceada, um sono adequado e atividades relaxantes, como meditação e ioga, podem contribuir significativamente para a resiliência e o manejo das emoções.

Em conclusão, a pesquisa e as evidências apresentadas reforçam o impacto significativo do término de relacionamentos na experiência acadêmica e emocional dos estudantes de medicina. Os desafios enfrentados por esses indivíduos são multifacetados e exigem uma resposta igualmente abrangente. As instituições educacionais, em conjunto com os profissionais de saúde mental, têm um papel crucial na promoção e implementação de estratégias de apoio emocional eficazes. A adoção de um ambiente acadêmico que valoriza e promove a saúde mental e o bem-estar, juntamente com a promoção de práticas de autocuidado e estilos de vida saudáveis, é essencial para preparar os futuros médicos para lidar com os desafios intrínsecos à sua profissão. Os resultados desta pesquisa enfatizam a necessidade de uma abordagem proativa para combater e mitigar os efeitos adversos dos desafios emocionais na vida acadêmica dos estudantes de medicina.



Leia também: 



Referências:

Perilloux W, Buss DM. Breakup Distress and Loss of Identity: A Five-Year Longitudinal Study of Newly Single Individuals; 2018.

Davis D, Shaver PR, Vernon ML. Coping with Romantic Breakup: An Exploratory Analysis of Strategies Used by Young Adults; 2013.


Sbarra DA. Emotional and Social Adjustment Following Relationship Dissolution: Introducing the Relationship Disruption Model; 2016.

Field T. Understanding the Emotional Experience of Romantic Breakup among Medical Students: A Qualitative Analysis; 2014.

Dyrbye LN, et al. Medical student distress: causes, consequences, and proposed solutions; 2017.

Hope V, et al. Psychological distress among medical students: associations with depressive symptoms, burnout, and quality of life; 2015.

Rotenstein LS, Ramoska EA, Torre M, et al. Prevalence of depression, depressive symptoms, and suicidal ideation among medical students: a systematic review and meta-analysis. JAMA. 2016;316(21):2214-2236.

















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