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O uso de antipsicóticos durante a gravidez tem relação com desenvolvimento de TDAH ou autismo?

O uso de antipsicóticos durante a gravidez tem relação com desenvolvimento de TDAH ou autismo?

A gravidez é um período delicado para a saúde das mães e dos bebês, e o uso de medicações deve ter um controle rigoroso para proteção do binômio mãe-feto. No entanto, algumas condições médicas maternas não podem deixar de ser tratadas devido sua condição de gravidez, é o caso de mães que necessitam do uso de drogas antipsicóticas. Mas será que o uso dessas medicações teriam alguma relação com o desenvolvimento de doenças neuropsiquiátricas como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) no recém-nascido?
Foi pensando nessa questão que um grupo de pesquisadores estudou mais de 400.000 mil mãe-bebês.

Mas afinal, há relação entre antipsicóticos, TDAH, Autismo e outras complicações neonatais?

Na coorte final foram incluídos 411 251 pares de registros mãe-filho para TEA, nascimento prematuro e pequeno para idade gestacional (PIG - <37 semanas) e 333.749 pares para análises de TDAH. No geral, 706 crianças (0,17%) foram expostas durante o período pré-natal a antipsicóticos entre 2001 e 2015, e 27 (3,82%), 92 (13,03%) e 19 (2,69%) receberam um diagnóstico de TEA, parto prematuro e PIG, respectivamente. Enquanto 547 (0,16%) foram expostos a antipsicóticos durante a gravidez entre 2001 e 2013, 45 (8,23%) desenvolveram TDAH. Ou seja, os resultados deste estudo demonstraram que não existe uma associação entre a exposição pré-natal a antipsicóticos e o risco de desenvolvimento de TDAH, TEA, nascimento prematuro e recém-nascido pequeno para a idade gestacional.

E quais são as implicações clínicas desse estudo?

No caso em que as mulheres grávidas possuem necessidade clínica de uso contínuo de antipsicóticos (incluindo antipsicóticos de primeira e segunda geração), os médicos não devem parar de prescrever o tratamento de maneira regular por medo do desenvolvimento de doenças como TDAH, TEA, parto prematuro e recém-nascido PIG. O que se sabe atualmente é que pais com transtornos psiquiátricos são mais propensos a ter filhos com transtornos do neurodesenvolvimento, como o TEA; sendo assim, seus médicos devem observar caso a caso.

Também devemos sempre levar em consideração que a interrupção abrupta no uso dos antipsicóticos devido uma gravidez pode levar a mãe a evoluir com o desenvolvimento de severos efeitos colaterais.

Os resultados deste estudo fornecem dados para orientar os médicos na tomada de decisões

Dado que os transtornos psiquiátricos maternos podem aumentar o risco de transtornos do neurodesenvolvimento em crianças, os médicos devem informar às pacientes individualmente sobre os benefícios e riscos potenciais do uso de antipsicóticos durante a gravidez.

 

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Referências

1. Wang Z, Chan AYL, Coghill D, Ip P, Lau WCY, Simonoff E, et al. Association Between Prenatal Exposure to Antipsychotics and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder, Autism Spectrum Disorder, Preterm Birth, and Small for Gestational Age. JAMA Internal Medicine [Internet]. 2021 Aug 16 [cited 2021 Sep 6]; Available from: https://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/fullarticle/2782815 ‌

Conteúdo elaborado por Diego Arthur Castro Cabral

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