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Onde nos perdemos?

Onde nos perdemos?

Quando entrei na faculdade, por volta de algum semestre
Diante da inexperiência da vida, uma dúvida me virava um teste
Onde nos perdemos, nesse processo de virar médico?
Se tanto mal ouço falar, onde está o salto para que eu possa dar?

O tempo se passou, eu me considerava sobre a linha
Enxergava o certo e o errado de uma maneira bem minha
O contato com o outro se intensificou
Eram queixas, demandas e intimidades que a própria medicina criou

O ápice da primeira caminhada estava a chegar
Era no internato que eu ia da forma mais nobre atuar
Embora tivesse mudado bastante após o quarto ano
Ainda me sentia na linha, como um novato à frente do veterano

Foi aí que algumas respostas surgiram
Eu já não tinha mais tantas escolhas como nos tempos de crítico
As demandas aumentaram de forma exponencial
Eu via muito mais gente e o dia a dia ficou cada vez mais banal

O policiamento comigo diminuiu,
Por vezes eu só queria chegar em casa
E sair de algum ambiente hostil

A pressa, as tarefas a cumprir, as exigências de um serviço
Tudo me fez crescer
Mas eu tive que parar e exercitar o raciocínio:
Será que também estou a me perder?

O cansaço substituía o entusiasmo,
Que eu curiosamente conseguia manter em outrora
A hierarquização por vezes desnecessária,
Não tinha um objetivo claro de te levar a uma melhora

Vi alguns amigos serem esmagados pelo ego de terceiros
Vi disputa de caráter em meio a nevoeiros
Existiam críticas pouco construtivas
Existiam brincadeiras pouco produtivas

Quando me dei conta, já estava no olho do furacão
Perdido e errando como qualquer um da profissão
Parei e pensei como o infante do início do curso
Me chamei a atenção: ei não é assim que tem que ser
Você tá surdo?

Foi então que obtive a primeira resposta
Nós nos perdemos todo dia, na postura, na conduta, na trilha que lhe é imposta
Foi então que eu vi que o problema não era se perder
Mas continuar à deriva, sem ao menos tentar achar o caminho de volta

Viver em um hospital, ou um outro meio pouco amistoso
Não deve ser razão para você incorporar o "malfeitoso"
Os bons exemplos suplantam os maus
E por mais que os maus te tirem mais energia
Quase sempre haverá um novo dia

Foi então que passei a refletir no final de cada jornada
Dia após dia, parar, pensar, planejar e melhorar
Parar de novo, avaliar, me desculpar, voltar e acertar

Posso me perder várias vezes nesse caminho
Mas sempre devo lembrar
Que fazemos o que fazemos
Para o outro em primeiro lugar

Posso me perder várias vezes nessa estrada,
Mas se deixei no começo da caminhada
As migalhas marcando a trilha
Sempre vou poder voltar e me encontrar
Com a verdade para ser dita: ei, você,
não é assim que tem que ser, pode ser melhor,
pois é assim que a gente faz para viver!

Sempre que se perder
Você pode voltar e rever
Pois apesar das mudanças
Sua essência deve continuar firme como uma lança
Que aponta para frente e mira aquilo que sonhara
Pois acima do que somos hoje, existe a nossa essência
E isso não podem nos tirar, se formos nossa própria consciência

Academia Médica
Pedro Helder
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Médico em formação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Tenho na música um hobbie, como sanfoneiro, tecladista, violinista, gaiteiro. Amante da arte médica, cuja inspiração advém dos grandes mestres da Medicina cearense.

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