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Enfermagem! Essa é a profissão do futuro da saúde

Enfermagem! Essa é a profissão do futuro da saúde

Recentemente, em um podcast para o grupo Sabin junto com o amigo Istvan Camargo que fui convidado para participar, relembrei uma fala do amigo Diógenes Silva da Anestech sobre o futuro das profissões da saúde para a próxima década. Era ainda 2018 quando ouvi isso dele no congresso da ABORL em que dividíamos o palco em Florianópolis. A pandemia ainda era algo distante, mesmo com os diversos alertas que emitimos aqui na Academia Médica. 

Chegamos à pandemia e ao que tudo indica, essa não é uma visão distópica. Basta ver o reconhecimento que Banksy (talvez o mais famoso grafiteiro da história) deu às enfermeiras do NHS ao pintá-las como super-heroínas, tendo a preferência das crianças frente ao Batman ou ao Homem Aranha.

Em que se baseia esta visão?

Nós, médicos, temos como prerrogativa de ato, mínimo e indissociável, o diagnóstico e o tratamento. Poder identificar qual é a patologia, firmar que o conjunto de sinais e sintomas, em conjunto definem uma síndrome ou uma doença de forma categórica, é o primeiro passo da nossa atribuição. Fazemos isso questionando, ouvindo, testando, executando manobras, solicitando exames que serão realizados e laudados por outros colegas para chegar a um diagnóstico possível. 

Paciente diagnosticado, propomos um tratamento. Esse tratamento normalmente está atrelado a nossa experiência, vivência e relacionamento com o nosso paciente. 

Não é à toa que o tripé da Medicina baseada em evidências (e sem um deles a prática médica não se sustenta), é o seguinte 

  • Evidência científica (o que a ciência validada por pares, globalmente, nos mostra como práticas viáveis, que entreguem mais bem do que mal ao paciente)
  • Experiência do paciente (entendimento e incorporações dos valores do paciente para a decisão terapêutica, contemplando se ele pode arcar com as custas do tratamento)  
  • Experiência do médico (os valores e toda a quantidade de conhecimento acumulada durante toda a sua vida, sua moral e ética)

Basicamente, um bom médico contempla tudo isso e traz também um excelente relacionamento médico-paciente e consequentemente, acrescenta a sua prerrogativa profissional O CUIDADO.

Diante da uma gama de novas tecnologias, inteligência artificial, telepresença, Big Data, Realidade Aumentada, Realidade Mista e tantas outras coisas coisas que não são mais futuro, teremos muitas mudanças no campo da assertividade do diagnóstico e tratamento. Essas tecnologias na mão de médicos que as entendem como ferramentas, proporcionarão que ele seja um supermédico, uma pessoa que tem os melhores instrumentos para provocar o resultado certo, na pessoa certa, no tempo certo, contemplando os valores certos do paciente... a tal da medicina personalizada. 

De forma quase que paradoxal, esse mundo dos supermédicos vai ser para poucos. Será daqueles que já desaprenderam a maneira antiga de se fazer medicina que era (ainda é?) exercida do alto do poder de determinar o diagnóstico (e consequentes desfechos a partir disso), para transitar junto com o paciente em seu processo de adoecimento e recuperação. E por que isso? Porque o mundo do diagnóstico em si, será muito mais automático, realizado por máquinas, que de forma muito mais simples são mais baratas e produtivas que os médicos humanos.

Eu só falei de médicos até aqui, mas tudo isso tem a ver com a enfermagem e já chego lá. Antes disso, porém, compartilho um quadro recém-divulgado pela CNBC, sobre quais são as profissões do futuro e como elas crescerão em remuneração e quantidade de trabalhadores:

Enquanto nós ocupávamos esse lugar altivo de poder determinar diagnósticos e tratamentos, a enfermagem em geral já fazia algo também muito difícil de ser copiado por uma máquina. Mais difícil mesmo que o raciocínio que nos leva a elaborar um caminho para diagnosticar e tratar. 

Em toda a história, a enfermagem foi responsável por algo que já falei aqui hoje. São responsáveis pelo CUIDADO. É essa a blindagem, a barreira de entrada que estes profissionais possuem. A população está ficando cada vez mais idosa, com número cada vez maior de pessoas que terão mais de 90 anos de idade, com faculdades mentais preservadas, buscando o melhor desenvolvimento de suas vidas, com a maior qualidade possível. 

Obviamente que nós médicos ainda seremos necessários e que talvez a nossa profissão se torne algo completamente diferente do que é hoje. Sem perder a essência dos princípios que norteiam a medicina, teremos uma prática repleta de dados, com diferenciadas opções terapêuticas para diagnósticos cada vez mais específicos e aprofundados. Entretanto o mundo dos ultraespecialistas será cada vez mais inacessível, precisaremos olhar para o básico, precisaremos nos reinventar. A Atenção Primária em Saúde há muito é uma necessidade para as diversas instituições. Isso só vai funcionar com o desenvolvimento de equipes multidisciplinares, com competências transdisciplinares, que se apoiam e conquistam resultados diante da população que cuidam.

Enquanto isso, a enfermagem e as outras profissões que entregam assistência e cuidado ao paciente ganham novas opções para entregar valor, cuidado e atenção aos doentes e saudáveis crônicos que permearão ainda por muitos anos nesse mundo transdisciplinar e provocativo que está posto. Médicos estarão lá e, enfermeiras também, fisioterapeutas, dentistas, terapeutas ocupacionais e tantos outros profissionais da saúde lado a lado, proporcionando uma melhor qualidade de vida para aqueles de quem cuidam.

A enfermagem contará com outra percepção de valor da sociedade que tanto precisará de cuidado. Para os não enfermeiros como eu, cabe a busca de integrar, criar e colocar em prática ações que utilizem das melhores capacidades dos profissionais envolvidos, na busca de entregar qualidade de vida ao ser humano que precisa de bem-estar, em todos os momentos de suas vidas.

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Fernando Carbonieri
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