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Outubro Rosa: uma reflexão acerca das instituições

Outubro Rosa: uma reflexão acerca das instituições

O Setembro Amarelo acabou e todos agora começam a falar sobre o Outubro Rosa e logo logo sobre o Novembro Azul e por aí vai.

No Outubro Rosa destaca-se a conscientização quanto ao câncer de mama que também pode estender-se ao câncer  de colo de útero.

Coincidentemente, essa semana chegou aqui em casa uma encomenda de um sutiã de uma marca um pouco diferenciada. Ao olhar a etiqueta com as informações de lavagem, vi colado encima um adesivo escrito "inspetora nº tal", posteriormente, na internet vi uma propaganda da mesma marca dizendo que iria doar X% das vendas de Outubro para instituições de combate ao câncer de mama e logo abaixo nos comentários várias consumidoras aplaudindo. Porém, foi inevitável não raciocinar nesse momento, "será que a inspetora da qualidade nºtal, está com seus exames em dia?"

Neste contexto, venho aqui lembrar que nas empresas existe o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), que é um procedimento legal, mediante a Norma Regulamentadora nº7, que visa proteger a Saúde Ocupacional dos trabalhadores. Este programa entre muitas outras coisas, contempla o exame admissional, periódico e demissional. Com a equipe do SESMT (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho), é possível encontrar indicadores epidemiológicos de número de vacinados, situação de incidência de doenças nos colaboradores entre outros. Porém, por experiência própria, dificilmente as instituições incentivam suas(seus) colaboradoras(es) a irem fazer esses exames acerca desses cânceres. Até orientam, fazem palestras e falam sobre o câncer de mama. Porém, sabemos muito bem que existe um grande abismo entre o orientar e essas(es) colaboradoras(es) irem fazer de FATO seus exames. Na área da saúde pior ainda, nem preciso procurar pesquisas para dizer sobre as altas cargas horárias de trabalho, turnos emendados e dificuldade de folgar fora do planejado devido ao desfalque de pessoas que é frequente ocorrer. Assim o profissional da saúde é o que menos cuida da própria saúde. 

Cabe aqui uma reflexão, como consumidores não deveríamos pedir maior transparência dessas instituições quanto ao cuidado com a saúde de seus colaboradores? É lindo e certo doar para intuições e fazer campanhas, deixar tudo rosa/azul, porém, sabemos que muito disso é só marketing e que o capitalismo usa até do trágico para ganhar dinheiro. Cabe a nos como cidadãos pedirmos mais. 

Se você fizer parte da CIPA, proponha mais do que a velha gincana de emagrecimento. Mas a transparência quanto ao indicador de nº de colaboradoras que foram fazer os exames periódicos femininos. Não é necessário que todas as colaboradoras saiam em Outubro para isso. Nada que um planejamento e uma conversa não resolvam. Talvez, adicionar a orientação no próprio exame periódico. 

Se você for influencer, será que não seria proveitoso dar o exemplo e mostrar que você não só vai para a academia e come direitinho, mas o check-up da saúde está em dia? Confesso, que eu sou a tia chata que todo ano pergunta para as amigas se o Outubro Rosa e os exames de saúde delas estão, ok.

Portanto, diante do que foi exposto, precisamos assim como no Setembro Amarelo, fazer do Outubro Rosa não só um movimento das mídias. 

"E você? O que você tem feito para fazer esses movimentos valerem a pena?"

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Referências 

Instituto Nacional de Câncer , Outubro Rosa".
https://www.inca.gov.br/assuntos/outubro-rosa, acesso em: 03/10/2021.

 

 

Academia Médica
Lilian Galligani
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Olá! Sou Lilian Galligani, trabalho como Analista de Processos e Projetos na área da saúde e tenho experiência em certificação ONA e Qmentum. Amo assuntos como humanização na saúde e já trabalhei como voluntária do Centro de Valorização da Vida.

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