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Relato de caso de miocardite associada à varíola dos macacos

Relato de caso de miocardite associada à varíola dos macacos
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set. 12 - 4 min de leitura
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O Journal of the American College of Cardiology publicou um relato de caso, feito por pesquisadores de Portugal, sobre o desenvolvimento de miocardite em um paciente de 31 anos que estava infectado pela varíola dos macacos (monkeypox).

O paciente, do sexo masculino, chegou ao hospital com histórico de cinco dias de mal-estar, mialgia e febre, seguidos de erupções de múltiplas lesões cutâneas em face, mãos e genitália. Na ocasião, os médicos coletaram uma amostra de swab das lesões de pele para o PCR de monkeypox, o qual deu positivo.

O paciente teve alta hospitalar com a orientação de isolamento domiciliar. Porém, após três dias, retornou ao serviço de emergência do hospital por sentir dor precordial com irradiação para o membro superior esquerdo. No exame físico, o paciente apresentava múltiplas vesículas e pústulas cutâneas em face, punhos, coxas e genitália, com uma lesão ulcerada no pênis acompanhada de edema doloroso de prepúcio e glande e linfadenopatia em região inguinal esquerda. Ele estava afebril e hemodinamicamente estável, sem alterações na ausculta cardiopulmonar.

No eletrocardiograma, o ritmo identificado era sinusal com anormalidades inespecíficas da repolarização ventricular. A radiografia de tórax mostrou índice cardiotorácico normal, sem infiltrados intersticiais, derrame pleural ou massas. A função sistólica biventricular estava preservada e não havia derrame pericárdico. Os exames laboratoriais de rotina revelaram proteína C reativa elevada, uma creatina fosfoquinase elevada, uma troponina I de alta sensibilidade e peptídeo natriurético cerebral também aumentado.

Os exames toxicológicos de urina e sangue foram negativos e as sorologias para HIV, sífilis, herpes, hepatite B e C também. Além disso, foram realizados testes de PCR para os vírus cardiotrópicos mais comuns, sendo todos negativos. A função tireoidiana estava normal e a pesquisa de anticorpos antinucleares e fator reumatóide foi negativa.

Em ressonância magnética, realizada somente pela estabilidade do paciente, os médicos encontraram áreas de aumento da intensidade do sinal nos segmentos basais inferior e lateral, correspondendo a edema miocárdico, sendo consistente com inflamação miocárdica. Além disso, o exame também revelou realce subepicárdico no segmento médio inferolateral e realce da parede média nos demais segmentos inferior e lateral do VE, achados compatíveis com necrose. O diagnóstico de miocardite aguda foi assumido pela presença de ambos os principais critérios atualizados de Lake Louise (presença de edema miocárdico nas imagens ponderadas em T2; aumento significativo da intensidade de sinal nas imagens com a técnica de realce global precoce; presença de áreas de necrose e/ou fibrose na sequência de realce tardio).

O paciente foi tratado com medidas suportivas e restrição de exercícios. Os anti-inflamatórios não esteroides, em particular o ácido acetilsalicílico, foram retirados. Os pesquisadores lembram que, no passado, infecções por varíola eram associadas à miocardite, assim como ocorriam complicações cardíacas associadas à vacinação contra a varíola, incluindo miocardite e miopericardite pós-vacinal.

Por comparação, o vírus da monkeypox relacionado pode ter tropismo pelo tecido do miocárdio ou causar lesão imunomediada ao coração. Entretanto, mais estudos são necessários para identificar o mecanismo patológico de ação do vírus que pode estar associado à injúria cardíaca.

Referência

Pinho A, Braga M, Vasconcelos M, et al. Acute Myocarditis – a new manifestation of Monkeypox infection?. J Am Coll Cardiol Case Rep. null2022, 0 (0) .https://doi.org/10.1016/j.jaccas.2022.08.033

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