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Repercussão de pesquisa envolvendo exame de colonoscopia gera polêmica

Repercussão de pesquisa envolvendo exame de colonoscopia gera polêmica
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out. 13 - 4 min de leitura
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A colonoscopia é um exame utilizado em todo mundo para verificação da saúde do cólon e do reto, sendo muito recomendado para detecção do câncer de intestino. Porém, a repercussão negativa de uma pesquisa recente realizada na Noruega, cujos resultados foram publicados na revista The New England Journal of Medicine, vem colocando em dúvida a eficácia do procedimento para descoberta de tumores, gerando polêmica nos meios médico e científico.

Segundo publicações sobre o assunto, a pesquisa – que fez uma análise de dados de milhares de pessoas com idades entre 55 e 64 anos, na Polônia, Noruega e Suécia entre 2009 e 2014 - teria demonstrado que a colonoscopia reduz em apenas 18% o risco de câncer colorretal e não é capaz de prevenir significativamente o número de mortes pela doença.

O dado, entretanto, deixa de considerar fatores limitantes importantes da pesquisa, como a baixa adesão dos participantes ao exame de colonoscopia, a baixa qualidade dos exames realizados e o curto período de acompanhamento.

Quando a pesquisa norueguesa é restrita aos participantes que realmente realizaram a colonoscopia (cerca de 12 mil pessoas), a eficácia do procedimento é tida como maior, sendo apontada redução de 31% na incidência de câncer colorretal e de 50% no risco de morte.

Estudos anteriores, com realização de trabalhos observacionais, demonstram que a colonoscopia é bastante eficaz no diagnóstico precoce do câncer, podendo também detectar pólipos que futuramente venham a se transformar em tumores.

Por isso, a repercussão da publicação realizada na The New England Journal of Medicine vem sendo apontada por muitos como um desserviço à população e à saúde pública, principalmente por que muitas pessoas já demonstram uma resistência natural de realizar a colonoscopia, considerando-a invasiva e constrangedora.

O American College of Gastroenterology se pronunciou sobre o assunto, enviando uma nota à CNN Health criticando a divulgação de um artigo sobre o tema, em que as limitações do estudo feito na Noruega teriam sido ignoradas, e defendendo os benefícios do procedimento.

De acordo com a entidade, existem evidências bem estabelecidas de que a colonoscopia com remoção de pólipos pré-cancerígenos reduz a incidência de câncer colorretal, consequentemente reduzindo o número de mortes pela doença.

“Os benefícios da colonoscopia de rastreamento levam tempo para ser percebidos...O peso da doença e da morte por câncer colorretal – especialmente devido ao atraso na triagem – é real...As descobertas (da pesquisa desenvolvida na Noruega) são instigantes e levantam questões, mas de forma alguma estas questões são uma razão para que adultos elegíveis (à realização de colonoscopia) adiem ou renunciem (ao exame). Recomenda-se o rastreamento do câncer colorretal por colonoscopia”, diz a nota da entidade norte-americana.

No Brasil, conforme informações divulgadas pelo governo Federal, foram contabilizadas 168,7 mil mortes causadas por câncer colorretal entre 2011 e 2020. Os casos de internações pelo problema, através do Sistema Único de Saúde (SUS), chegaram a 771 mil no mesmo período.

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