Residência Médica: Dicas Finais para a Entrevista
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Residência Médica: Dicas Finais para a Entrevista

Residência Médica: Dicas Finais para a Entrevista e Defesa de Curriculum

PARTE 4: A Entrevista

Por Larissa Wendling

Com a colaboração de Marina Melek e Melissa Erdmann

Finalizando a série que iniciamos para ajudar os médicos que estão disputando a sua vaga na Residência Médica, hoje o Academia Médica abordará a entrevista em si.

Este é o momento onde os preceptores podem simular uma situação de estresse e de interação social para então avaliar como você lida com esses dois fatores importantes para a prática médica. O foco principal da entrevista será o seu curriculum, mas você deve se preparar para algumas perguntas de cunho pessoal e para ser colocado em situações de tensão. Além disso, os entrevistadores procurarão sutilmente descobrir pontos do seu caráter e valores durante a sabatina, para descobrir se você se encaixa no serviço.

Sua postura está sendo avaliada desde o primeiro momento em que você pisa na sala. Ao chegar, cumprimente os membros da banca com um aperto de mão firme. Se a banca for muito grande, cumprimente a pessoa que lhe chamou. Se houver algum conhecido seu ou professor, cumprimente-o também. Olhe nos olhos das pessoas que estão falando com você e responda-as também mantendo contato visual. Gaguejar um pouco é normal e os avaliadores esperam mesmo que você gagueje ou que tenha pequenos brancos – você se importa com a entrevista e com a vaga, não? Se isto acontecer, pare, respire fundo, relaxe e recomece.

Esteja preparado para falar sobre tudo que está no seu curriculum. Conheça-o por completo e saiba justificar o que está nele. Saiba também por que você quer aquela especialidade e por que você quer estar naquele corpo clínico específico. Você pode ser perguntado sobre experiências durante a sua vida acadêmica que o levaram a tomar aquela decisão ou sobre professores que foram exemplos para a sua formação. Perguntas teóricas sobre a sua área também não são incomuns, então, prepare-se.

Você pode ser perguntado sobre suas qualidades e defeitos. Por que você acha que deve ser o escolhido para aquela vaga de residência? É comum que algumas pessoas perguntem diretamente quais são seus pontos fortes e fracos. Atenção nessa hora: ser perfeccionista não é um defeito. Você é humano, tem defeitos e não precisa ter medo de negá-los. Tenha bom senso e escolha algo leve, no entanto. Não diga que bebe em excesso, que não sabe trabalhar com outras pessoas, que tem problemas com horários ou pouca paciência, por exemplo.

Alguns examinadores fazem perguntas sobre temas cotidianos: notícias recentes ou temas gerais. Nada disso reflete diretamente seu conhecimento médico, mas reflete no quanto você está ligado no mundo e no que acontece ao seu redor. Não adianta nada você saber o Harrisson de cor e não saber a quantas está correndo no Congresso a regulamentação da medicina (ah, então você não sabia que a medicina não é uma profissão regulamentada?).

Cuidado com temas polêmicos demais. Você pode ser inquerido sobre sua opinião sobre greves de médicos residentes, sobre a opressão dos planos de saúde, sobre política, religião, criminalidade, aborto. Cuidado nessa hora. Parece injusto, mas o serviço não vai querer contratar um residente que seja um problema em potencial: que incite uma greve ou que seja muito firme em suas convicções. Você (e grande parte da sociedade médica) pode achar a Dilma Rousseff uma péssima presidente e uma demagoga, mas cuidado, pois o seu chefe pode ser petista. Por outro lado, o socialismo é lindo na teoria, mas aquele chefe mais tradicional pode ser de extrema direita. Novamente: bom senso.

Você pode ser questionado sobre seus gostos. Qual o último livro que você leu? Não responda o livro-texto da sua área. Vai soar como pedantismo e mentira. Escolha a última peça de literatura não-médica, não importa que seja ficção. Não é necessário que você seja um intelectual. Só responda Nietzsche, Kant ou Schopenhauer se você realmente conhecer as obras deles. Sim, você vai parecer muito culto, mas vai ser vergonhoso se algum avaliador resolver discutir as teorias deles e você não souber acompanhar.

Alguns entrevistadores podem fazer perguntas de cunho pessoal e por vezes, muito constrangedoras. Soubemos de um caso onde à banca perguntou a uma candidata à uma vaga de clínica médica se ela gostava de homem. Por mais que seja o primeiro impulso, você não pode responder que “não é da sua conta” ou demonstrar que ficou ofendida com o questionamento. Procure uma saída polida para a situação.

Ao fim da entrevista, agradeça os entrevistadores, cumprimente-os com um aperto de mão. Evite familiaridades com os membros, independente de o presidente da banca ser o melhor amigo do seu pai e tê-lo carregado no colo durante a infância. Claro que você deve cumprimentá-lo e que não precisa negar o conhecimento, mas ninguém precisa saber que ele trocou suas fraldas ou que vocês já acamparam juntos. Pega mal. Não saia da sala também demonstrando essa familiaridade para se vangloriar sobre os outros candidatos, por mais tentador que seja, pois isso é profundamente desagradável. Você quer ser aprovado pela sua qualidade enquanto profissional, não pelos seus contatos.

Chegamos ao final dessa matéria com uma observação: não existe uma fórmula mágica para se sair bem na entrevista de residência. Certamente, as dicas que apresentamos podem ajudá-lo no processo, mas tudo vai depender de uma série de fatores. Nem tudo que agrada um avaliador agradará a todos. Pessoas têm trajetórias de vida diferentes e valores diferentes. Seja você mesmo, sincero, coerente, bem educado e demonstre bom senso. Essas são as dicas mais valiosas que nós podemos oferecer.

Confira os quatro textos sobre a entrevista dos concursos de residencia médica aqui no Academia Médica

O Academia Médica deseja boa sorte a todos durante o processo seletivo para a residência médica!

Emerson Wolaniuk
Emerson Wolaniuk Seguir

Médico Responsável Técnico do Instituto Qualis - Curitiba, centro de referência no tratamento da obesidade e qualidade de vida, medicina preventiva e no processo de reprogramação de vida. Ganhador do Premio Inova Saúde PR 2017 de gestão em saúde.

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