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Tratamento experimental com vírus zika destrói tumor cerebral em roedores sem causar lesão neurológica

Tratamento experimental com vírus zika destrói tumor cerebral em roedores sem causar lesão neurológica

Pesquisadores brasileiros do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células Tronco (CEGH-CEL) da Universidade de São Paulo (USP) demonstraram que a aplicação sistêmica intraperitoneal de vírus zika - em 3 injeções, uma a cada 7 dias - em modelos animais (camundongos) portadores de tumores cerebrais é capaz de destruir o câncer sem provocar lesões neurológicas ou em outros órgãos, o que aumentou a sobrevida dos animais.

Estes resultados, publicados em edição especial do periódico Viruses, confirmaram a eficácia e a segurança do tratamento com o vírus nos modelos e abrem perspectivas para o uso da viroterapia em tumores do sistema nervoso central.

Os cientistas também realizaram um outro experimento: eles injetaram o zika em um organoide cerebral (órgão semelhante ao cérebro humano criado in vitro com células-tronco) e detectaram que o tamanho tumoral foi reduzido.

Nos dois experimentos, citocinas (proteínas que regulam a resposta imunológica) suprimiram a progressão do tumor e houve aumento da migração de células imulonógicas para o cérebro afetado pelo tumor.

Os pesquisadores trabalharam com uma linhagem de camundongos imunodeficientes conhecida como “nude”. Estes animais possuem sistema imunológico com carga reduzida de linfócitos T.

Os cientistas avaliaram a eficácia e segurança do tratamento por diversas vias. Em primeiro lugar, eles aplicaram o vírus diretamente no cérebro dos animais e observaram que, num primeiro momento, houve regressão do tumor. No entanto, este voltou a crescer após 21 dias. Após, foram feitas injeções intracerebrais ventriculares com a mesma carga viral anterior. Esta, entretanto, se mostrou muito agressiva e virulenta, levando os animais à caquexia e sobrevida de somente quatro semanas.

Os pesquisadores, então, realizaram aplicações sistêmicas via intraperitoneal obtendo efeitos positivos: os animais continuaram comendo, não perderam peso e mantiveram boas condições clínicas, sem lesão neurológica ou de outro órgão e aumentaram sua sobrevida.

O grupo de pesquisa foi o primeiro a descobrir que o zika brasileiro pode ser um agente eficiente para tratar formas agressivas de tumores embrionários do sistema nervoso central, incluindo meduloblastomas. 

O grupo observou que a infecção provocada pelo vírus nas células tumorais dificultou a progressão da doença, indicando efeito oncolítico intensivo de zika. Pela primeira vez, o grupo trabalhou com tumores embrionários do sistema nervoso central in vitro, com resultados semelhantes. O artigo, no entanto, destaca a necessidade de mais investigação para confirmar a seletividade do vírus nesses casos.

 

Fonte: Ferreira, et al. 2021.

 

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Referências:

Ferreira, R.O.; Granha, I.; Ferreira, R.S.; Bueno, H.d.S.; Okamoto, O.K.; Kaid, C.; Zatz, M. Effect of Serial Systemic and Intratumoral Injections of Oncolytic ZIKVBR in Mice Bearing Embryonal CNS Tumors. Viruses 2021, 13, 2103. https://doi.org/10.3390/v13102103

 

 

 

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