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Vamos brincar no hospital?

Vamos brincar no hospital?

Ao brincar, as crianças interagem com o meio, seja pelas descobertas e significações. As brincadeiras também permitem que a criança aprenda sobre as regras, além de cooperar, compartilhar experiências,  ser e agir com o outro e com ela mesma.

“Por que brincar no hospital? Para distrair a criança de seu sofrimento? Para torná-la mais acessível ao tratamento hospitalar? Ou por que o brincar no hospital é um modo de preservar seu direito de criança a brincadeira? Será importante brincar no hospital porque, brincando, a criança é estimulada a apropriar-se dos recursos necessários ao enfrentamento da doença e da dor? Ou, ainda, por que a brincadeira no hospital é um modo de encarar as necessidades psicossociais da criança?” (Fortuna, 2020, p. 35)

Segundo pesquisadores, o ser humano nasce e cresce com a necessidade de brincar. Não é por acaso que essa é uma das atividades mais importantes na vida do indivíduo.  É uma atividade que faz parte do dia a dia e que se transforma em um meio de comunicação e expressão, associando o pensamento e a ação. Por meio das brincadeiras, é possível trabalhar as potencialidades, limitações, habilidades sociais, afetivas, cognitivas e físicas.

Para Vygotsky (1994) o brincar é essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança, pois os processos de simbolização e de representação a levam ao pensamento abstrato. Ainda segundo o autor:

“Brincar é coisa séria, também, porque na brincadeira não há trapaça, há sinceridade engajamento voluntário e doação. Brincando nos reequilibramos, reciclamos nossas emoções e nossa necessidade de conhecer e reinventar. E tudo isso desenvolvendo atenção, concentração e muitas habilidades. É brincando que acriança mergulha na vida, sentindo-a na dimensão de possibilidades. No espaço criado pelo brincar nessa aparente fantasia, acontece a expressão de uma realidade interior que pode estar bloqueada pela necessidade de ajustamento às expectativas sociais e familiares”. (VIGOTSKY, 1994, p.67)

Sendo assim, o brincar dentro do hospital deve ser utilizado como uma estratégia para enfrentar a doença e promover a vida de forma mais humanizada. Partindo do pressuposto que o brincar é intrínseco ao ser humano, enfatizamos que esse direito deve acontecer ao longo da vida e nas vicissitudes que ela apresenta. Para tal, o direito de brincar também é garantido a criança e ao adolescente que se encontrarem em regime de internação hospitalar, a fim de garantir a humanização do atendimento aos usuários, baseado nos pilares do SUS. A proposta é  defendida pela Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABbri).

O espaço da brinquedoteca hospitalar é uma garantia do brincar livre e seguro. Espaço esse, que muitas vezes acolhe profissionais de demais setores, como pedagogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, fonoaudiólogos e outros. Esta possibilidade de multidisciplinaridade só tem a agregar a todas as áreas envolvidas, mas convém observar que a brinquedoteca não é um centro de atendimentos multiuso. Faz-se necessário nos atentarmos à Portaria Nº 2.261, de 23 de novembro de 2005, que estabelece as diretrizes de instalação e funcionamento das brinquedotecas nas unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação.

A ABBri é filiada a Associação Internacional de Brinquedotecas (ITLA) e realiza cursos de formação para brinquedistas - pessoas que trabalham com o objetivo de proporcionar um brincar livre e seguro para as crianças e, porque não, para adultos também!

Vamos brincar no hospital?

Por fim, eu gostaria de compartilhar um Ebook (UNICEF) Brinquedos e Brincadeiras para Crianças Pequenas. Acesse aqui!

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Referências

1.FORTUNA, Tania, Ramos. Brincar, Viver e Aprender: Educação e Ludicidade no Hospital. Brinquedoteca hospitalar: isto é humanização/ Drauzio Viegas (organizador); Associação brasileira de Brinquedotecas. 3. Ed.Rio de janeiro: Walk Editora, 2020.  

2.VIGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

 

 

Academia Médica
Maria de Lourdes  de Moraes Pezzuol
Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol Seguir

É professora do AEE para alunos com autismo na rede pública de S.P, licenciada em Educação Física, mestrado em Educação, especialista em autismo, neuropsicopedagogia, psicomotricidade, ABA e brinquedista pela ABBri e gestora de uma Ecobrinquedoteca

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