Aplicações práticas do Blockchain na Saúde Digital
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Aplicações práticas do Blockchain na Saúde Digital

Texto publicado inicialmente neste link.

No artigo anterior Como a tecnologia do Blockchain permitirá aos Pacientes terem a verdadeira propriedade de seus dados na Saúde Digital? abordamos o conceito defendido pelo pensador britânico John Locke, que afirmou sobre o respeito ao direito natural de todo ser humano – à vida, à liberdade e à propriedade. Talvez, através do Blockchain, tenhamos a chance de verdadeiramente ter a propriedade de nossos dados de Saúde Digital, permitindo-nos a liberdade de usá-los pessoal e coletivamente para avanço nos tratamentos médicos e consequentemente exercendo o direito mais natural de todos – ter uma vida ainda mais digna e feliz.

Porém, deixamos em aberto como os casos práticos estão sendo desenvolvidos de como o uso do Blockchain poderão transformar a Saúde Digital e beneficiar a todos nós, os pacientes.

Bem, como toda nova tecnologia que se cria para uma aplicação específica, o Blockchain foi concebido para viabilizar a moeda virtual Bitcoin, mas sua estrutura tecnológica e modelo de gestão de dados podem ser transportados para outros setores como a Saúde. O que diferencia sua aplicação é o modelo de negócio no qual ele é inserido.

Há vários usos possíveis para o Blockchain no mundo da Saúde Digital, por exemplo:

  1. Medical Banking (ou Banco Médico) – reduzir o número de intermediários nas transações entre médicos, hospitais e pacientes;
  2. Prontuário Hospitalar Eletrônico Transparente – dados do paciente acessíveis em nuvem;
  3. Gerenciamento de Inventários de Produtos compartilhados;
  4. Áreas de Pesquisa Médica e modelos de remuneração pelo compartilhamento de dados clínicos;
  5. Identificação Única de Pacientes para serviços de seguros;
  6. Ferramentas de colaboração paciente-paciente, paciente-médico ou médico-médico.

Um dos casos mais interessantes hoje já em estruturação é o da empresa Health Bank, baseada na Suíça. Assistam o vídeo sobre o que esta empresa está se propondo a realizar através da tecnologia do Blockchain.

A partir de um novo modelo em que o paciente é o DONO de seus dados, como discutimos no artigo anterior, ele pode sim gerar VALOR com seus dados e compartilhá-los de modo responsável e seguro. Diante de sérias preocupações que hoje estão sendo levantadas sobre a segurança dos dados dos pacientes armazenados em sistemas fechados dos hospitais e prestadores de serviços de saúde, esta nova abordagem traz uma releitura do manejo de nossos dados particulares. Vai funcionar? O tempo dirá, mas a mera possibilidade de se mudar o modelo de negócio e empoderar os pacientes já é um novo alento.

Cada vez mais estamos gerando dados de Saúde através dos diversos recursos tecnológicos, como os wearables, a Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial e nossos prontuários eletrônicos, apenas para citar alguns. Esses dados podem ser gerenciados pelos pacientes, assim como hoje controlamos diariamente nossos recursos financeiros num banco mediante o Internet Banking. Temos que aprender a gerir nossos dados de Saúde, especialmente se isso nos beneficiar diretamente.

Quando o Blockchain capacita os donos dos dados para usá-los com diversos propósitos pessoais e coletivos, uma nova janela de oportunidades surge para se remunerar esses pacientes por dados valiosos no estudo das doenças, da Saúde populacional, de novos medicamentos, etc. Ou seja, um novo modelo de negócios nasce na Saúde Digital – a premiação dos pacientes colaboradores!

Na Saúde Digital com o Blockchain, a matemática se transforma: Dividir é Multiplicar!

Mas nem tudo é um “mar de rosas”, como se diz no ditado popular. Há desafios reais para se poder conseguir estruturar todo este ecossistema do Blockchain na Saúde Digital, tais como:

  • Capacidade de transações simultâneas com o Blockchain;
  • Segurança contra ataques de hackers;
  • Interoperabilidade inicial com sistemas existentes no ecossistema da Saúde e o legado do mundo baseado em escrita manual (o velho Papel)!
  • Confiança na armazenagem dos dados de forma descentralizada, diferente de como se tem hoje;
  • Incertezas regulatórias;
  • Modelos de negócios sustentáveis.

Abordei apenas alguns dos exemplos de aplicações futuras na Saúde Digital do Blockchain. Ainda haverá muito debate e inovações a frente para que tenhamos esta tecnologia como uma realidade de massa, mas pelo menos conseguimos enxergar como futuro um horizonte tangível e promissor. Vamos construí-lo!

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Leia também os artigos anteriores da série sobre Saúde Digital:

Você pode acompanhar outros textos sobre o tema seguindo a tag SAÚDE DIGITAL, clicando aqui.

 

Abraços a todos!

Guilherme Rabello

Gerência Comercial e Inteligência de Mercado

InovaInCor – InCor / Fundação Zerbini

 

Guilherme Rabello
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Engenheiro pela Poli USP, com + de 25 anos de experiência em telecomunicações. Gerente Comercial e de Inteligência de Mercado do InovaInCor (núcleo de inovação do InCor e da Fundação Zerbini). Membro do Comitê Executivo de Inovação do HCFMUSP.

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