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Existe relação entre marcadores inflamatórios e risco de suicídio na depressão?

Existe relação entre marcadores inflamatórios e risco de suicídio na depressão?

De acordo com a OMS, 800 mil pessoas morrem por suicídio anualmente. Das doenças psiquiátricas a depressão tem a maior prevalência de casos de suicídio, com 30% dos casos. Apesar da maior preocupação em relação a saúde mental os números de casos continuam subindo, desta maneira a busca por fatores que podemos intervir e reduzir as chances de ideação suicida e/ou suicídio vem aumentando. Um dos fatores modificáveis é o estado pró-inflamatório que já foi associado a depressão maior e comportamento suicida.

A relação entre o processo inflamatório exacerbado e a depressão parece estar relacionado através da redução das concentrações de serotonina, agravando a depressão e aumentando os riscos de ideação suicida.

Os ácidos graxos poli-insaturados essenciais (AGPE) desempenham um papel fundamental na regulação da inflamação, principalmente por afetar a expressão de mediadores pró-inflamatórios, e resolução por meio das ações de seus metabólitos ativos; os AGPE como o ômega-3 correlacionam-se negativamente com citocinas pró-inflamatórias e positivamente com citocinas anti-inflamatórias. Além disso, a suplementação de ômega-3 reduz os níveis de citocinas pró-inflamatórias e aumenta a secreção de citocinas anti-inflamatórias. Níveis baixos de ômega-3 também são observados na depressão maior, em pessoas que tentam suicídio e em pessoas que cometeram o suicídio.

Em um recente estudo, os pesquisadores mediram os níveis plasmáticos de fosfolipídios de ácido araquidônico (AA%), ácido docosaexaenoico (DHA%) e ácido eicosapentaenoico (EPA%) como uma porcentagem dos fosfolipídios totais, bem como a interleucina-6 (IL-6), interleucina-1β sérica (IL-1β) e fator de necrose tumoral α (TNF-α), em 80 pacientes com transtorno depressivo maior (TDM) e 24 controles saudáveis ​​(HC).

Dos biomarcadores estudados, apenas o DHA% e a IL-1β diferiram entre os grupos (depressão maior e controles saudáveis). Após análise posthoc, a DHA% foi menor em pacientes que realizaram uma tentativa de suicídio do que aqueles que tem ideação suicida ou não ideatores. A IL-1β foi menor nos nos pacientes com histórico de tentativas, diferenciando-os dos com ideação suicida. A tentativa recente de suicídio, um dos mais poderosos preditores de risco, também esteve mais intimamente ligada aos índices inflamatórios. Os níveis reduzido do DHA% como um indicador de risco de suicídio é consistente com estudos anteriores; no entanto, a IL-1β mais baixa foi inesperada e pode estar relacionado à inflamação crônica.

A importância clínica desses achados é que tanto a deficiência do ácido docosaexaenoóico quanto a inflamação são fatores de risco modificáveis passíveis de intervenção e sua avaliação pode ser parte da avaliação de risco de suicídio.

Aumentar a ingestão de ômega-3 por meio de dieta ou suplementação pode ser uma medida acessível e segura que pode ter impacto na prevenção de comportamentos suicidas. Esse estudo também sugere que, dentro do espectro do comportamento suicida, o status de tentativa de suicídio é um marcador mais útil do que a ideação suicida para o risco de suicídio relacionado à inflamação.

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Referências

  1. Ganança, L., Galfalvy, H. C., Cisneros-Trujillo, S., Basseda, Z., Cooper, T. B., Ren, X., ... & Sublette, M. E. (2021). Relationships between inflammatory markers and suicide risk status in major depression. Journal of psychiatric research, 134, 192-199.

Conteúdo traduzido e adaptado por Diego Arthur Castro Cabral

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