[ editar artigo]

Troca de Plantão #19: pandemia é desculpa para distanásia?

Troca de Plantão #19: pandemia é desculpa para distanásia?

Neste episódio contamos com a participação especial da Dra. Ursula Guirro, que junto com os outros convidados conversam sobre os cuidados paliativos na pandemia e fora dela e trocam experiências e informações sobre este assunto no período de pandemia, por isso o título: "pandemia é desculpa para distanásia?"  

O Troca de Plantão acontece de Segunda a Sexta às 06h30 da manhã no Clubhouse é transformado em Podcast para você que não pode participar conosco ao vivo. Dê o play logo abaixo e curta conosco.

Comandado por Fernando Carbonieri, médico e fundador da Academia Médica, o Troca de Plantão nº19 contou com os colegas Filipe ProhaskaMarilea Assis, Carlos Bernini, Ana Panigassi, Ursula Guirro, Yung Gonzaga, Newton Nunes, Débora Fukino, Jair Kuhn, entre outros que também compartilharam conhecimento com a comunidade. Com audiência crescente, o Troca de Plantão da Academia Médica traz as principais publicações científicas do cenário mundial, discutidas por profissionais de ponta.

comments gifs | WiffleGif

Nossos heróis aqui do Troca de Plantão trouxeram as suas fofocas e a gente traz a sedimentação teórica para elas. Confira abaixo as referências que embasaram a discussão de hoje!

Primeiras imagens da "teia cósmica" revelam galáxias anãs escondidas

Leia mais aqui.

Os cientistas descobriram uma miríade de galáxias que não haviam sido detectadas anteriormente. Os sistemas recém-descobertos foram observados com o telescópio óptico mais avançado do mundo. Modelos cosmológicos já previam a existência de filamentos – gás no qual as galáxias são criadas – mas nenhuma imagem do fenômeno havia sido capturada, exceto nas proximidades de quasares, que são objetos astronômicos de alta luminosidade encontrados no centro de algumas galáxias.

Num fascinante bate papo, foi traçado um paralelo sobre como a astronomia e a física proporcionam ampliar a capacidade diagnóstica e terapêutica na medicina.

Contaminação por Covid-19 é três vezes maior em montadoras?

Leia mais aqui.

Nas montadoras do Grande ABC até 19% do quadro de funcionários já foi contaminado pelo novo coronavírus. O percentual é três vezes maior do que a média de infecção no país. Dos cerca 30,5 mil trabalhadores das cinco montadoras da região, Volkswagen, Mercedes-Benz, Scania, Toyota e General Motors, 4.405 se afastaram desde o início da pandemia, há um ano, por causa da Covid-19. Desses, dez vieram a óbito. Débora e Fernando ressaltaram os vieses da manchete, haja vista que, claramente, quando se faz mais testes, consequentemente a porcentagem de soropositivados aumenta, o que pode ser interpretado de forma errônea e com conotação vil.

Número de vacinados com 1ª dose no Brasil supera o total de casos de Covid-19

Com mais de 16 milhões de vacinas aplicadas até domingo, o número de pessoas que receberam ao menos uma dose supera 12 milhões nesta segunda-feira (22) e marca a virada, superando o total de casos confirmados de coronavírus no Brasil. Quem sabe um avanço no nosso maculado e arrasado cenário brasileiro. 

Israel e Nova Zelândia aprovam venda de spray nasal que pode prevenir Covid-19

Leia mais aqui.

Produto à base de óxido nítrico pode evitar contágio e diminuir severidade da doença em pessoas já infectadas. O produto, que teve eficácia comprovada em estudos clínicos, é capaz de matar os vírus presentes nas vias aéreas, evitando que eles fiquem incubados e se espalhem pelos pulmões.

Vale ressaltar que esse spray nasal não é o mesmo que o que está em tratativas de ser importado pelo Brasil de Israel.

Comparação da prestação de cuidados paliativos no último ano de vida entre adultos com doença terminal não cancerosa ou câncer

Leia, na íntegra, aqui.

Neste estudo de coorte, houve diferenças substanciais em nível de paciente e médico na prestação de cuidados paliativos em diferentes tipos de doenças graves. Essas diferenças em nível de paciente e médico têm implicações importantes para a organização e implementação escalonada de programas de cuidados paliativos, incluindo aprimoramento da educação e treinamento do profissional e melhorias no acesso equitativo aos cuidados em todos os ambientes.

Distanásia: a sofrida batalha para adiar a morte

A dificuldade em lidar com a finitude leva os humanos a apostar em suportes artificiais de vida, à espera de um "milagre de UTI", e a existência, muitas vezes, perde a dignidade e o sentido.

Código de Ética Médica e a vedação à distanásia. Resolução Conselho Federal de Medicina nº 2.217, de 27 de setembro de 2018.

Leia, na íntegra, aqui, as recomendações da AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), ABRAMEDE (Associação Brasileira de Medicina de Emergência, SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos) de alocação de recursos em esgotamento durante a pandemia por COVID-19.

O Código de Ética Médica, que proíbe a eutanásia, veda, também, a prática da distanásia. No parágrafo único de seu artigo 41, está disposto, expressamente, que, nos casos de “doença incurável e terminal”, os médicos devem garantir aos pacientes os disponíveis cuidados paliativos, “sem empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas”. Assim, ao médico não é permitido, sem o consentimento do paciente, adotar medidas terapêuticas que venham a contribuir com o prolongamento do morrer, agindo de forma obstinada e desnecessária.

Ademais, a prática da distanásia pode configurar o crime de constrangimento ilegal, tipificado no artigo 146 do CP. Portanto, além de violar os direitos do paciente, a distanásia constitui conduta ilegal, ilícita e não ética. Mas não é só. A prática da distanásia durante a pandemia de COVID-19 acarreta o agravamento da situação de esgotamento de recursos e causa seríssimos prejuízos para os demais doentes, que necessitam dos cuidados de emergência e UTI. É por isso que no protocolo deve constar que não deve o médico realizar quaisquer práticas distanásicas.

A discussão do Troca começou com Úrsula ressaltando a cultura médica brasileira da normalização da distanásia, aliada a ainda falha educação do estudante de medicina acerca dos cuidados paliativos, que muitas das vezes se encaixa em um currículo oculto daquele profissional. Além disso, alegou que a linha tênue entre enxergar a própria finitude e apostar em uma realidade utópica é também um dilema presente na maioria dos brasileiros.

Carlos também ressaltou que o ser humano odeia ter a sensação de perda, e que tendo em vista que a faculdade ensina a "ganhar as batalhas (e nem sempre haverá uma batalha a se ganhar)", quando isso não acontece, o médico lida muito mal com a situação, bem como seu "viés de ação", ou seja, o instinto de "salvar vidas" fica ferido. 

Úrsula também comentou sobre os médicos que não conseguem construir a possibilidade de uma abordagem ao longo dos atendimentos, o que é de suma importância a inserção dessas conversas em um nível que o paciente compreenda, visto que cada um terá recursos intelectivos distintos. Ademais, a gestão compartilhada com uma equipe multiprofissional e, principalmente, com o "médico nativo" daquele paciente, corrobora a sintonia dessa abordagem e o direito do indivíduo em exercer sua autonomia de forma consciente. 

Sob um cenário pandêmico, Jair, Marilea, Newton e Úrsula comentaram acerca da falta de uma coordenação e condução central do poder público e das entidades médicas, desde o início da pandemia, e de uma diretriz clara que visaria proteger o médico no sentido ético e legal acerca de casos que demandassem uma interrupção da tentativa de prolongamento de vida de determinados pacientes. Úrsula lembrou que, com a pandemia, vimos a fragilidade do sistema e da formação médica em relação a essa questão.

Em relação a escassez de recursos, principalmente para os pacientes com doenças raras, foi dito que é necessário, do ponto de vista populacional e sistemático, fazer uma análise de custo-benefício e buscar formas de como equacioná-las no sistema de saúde e ao mesmo tempo manter o equilíbrio financeiro das instituições

Confira aqui o texto de Úrsula Guirro: Não usem o clichê "Sinto muito, infelizmente o paciente foi a óbito”, publicado na Academia Médica.

Quer saber mais ainda sobre cuidados paliativos? Temos uma série de posts que podem te ajudar:

O que você achou desse episódio? Ajude-nos a fazer melhor. Pule para dentro da conversa e compartilhe conhecimento conosco!

POSE | EFIVEST

Se você esteve conosco ao vivo, por favor, deixe os seus comentários abaixo!

 

Troca de Plantão

Academia Médica
O que a faculdade esquece de falar!
O que a faculdade esquece de falar! Seguir

Página da redação da Academia Médica para divulgar atualizações pertinentes aos médicos, acadêmicos de medicina e profissionais de saúde.

Ler conteúdo completo
Indicados para você