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A exposição ao plástico na gravidez pode explicar baixo peso em meninos recém-nascidos

A exposição ao plástico na gravidez pode explicar baixo peso em meninos recém-nascidos

 

Uma equipe liderada por cientistas da Universidade de Manchester descobriu como a exposição de mães grávidas a um produto químico encontrado em muitos plásticos altera a expressão de uma proteína ligada à restrição de crescimento fetal (RCF) em meninos. Os resultados desta pesquisa forma publicados no periódico Biology of Reproduction.

Embora suas causas ainda não sejam claras, a RCF ocorre quando a placenta não está funcionando bem o suficiente para fornecer ao bebê os nutrientes para crescer normalmente e está ligada a um risco aumentado de complicações na gravidez. Ademais, bebês nascidos com RCF também estão sob maior risco de desenvolverem pressão alta, doença arterial coronariana, diabetes tipo 2 e doença da tireoide na vida adulta.

O estudo é o primeiro a comparar o efeito biológico do Bisfenol A (BPA), composto encontrado em alimentos enlatados, garrafas plásticas, recipientes de alimentos, brinquedos e equipamentos médicos - no tecido placentário masculino e feminino. Sabe-se, ainda, que mais de 90% dos humanos têm BPA no sangue e na urina e que a exposição durante a gravidez pode estar associada ao baixo peso fetal, principalmente nos meninos.

Níveis de Receptor Gamma Relacionado a Estrogênio (ESSRG), receptor placentário no qual o BPA se liga, é reduzido na restrição do crescimento fetal. Desta forma, este estudo procurou explorar se a sinalização ESRRG medeia a disfunção placentária induzida por BPA e determinar se as alterações na via de sinalização ESRRG são específicas do sexo masculino.

Para tanto, os pesquisadores simularam os níveis ambientais de BPA em 18 amostras de placenta de gestações saudáveis: 9 eram de bebês do sexo masculino e 9 eram do sexo feminino. Eles então cultivaram as amostras por até 48 horas e mediram como os níveis de ESRRG expresso e seu gene mudaram.

Os níveis médios de mRNA e proteína de ESRRG foram significativamente diminuídos em 38% e 28%, respectivamente, no tecido placentário masculino tratado com 1 nanomol de BPA por 48 horas.

Em níveis mais altos de BPA - 1 micromol - os níveis médios de mRNA de ESRRG foram reduzidos em 39% no tecido placentário masculino após 48 horas. No entanto, a mediana dos níveis de mRNA e proteína em 32% e 24%, respectivamente, no tecido placentário feminino após 24 horas de cultura aumentou,

Este estudo demonstrou, então, que o BPA afeta a via de sinalização ESRRG de maneira específica ao sexo em placentas humanas e representa um possível mecanismo biológico para explicar os efeitos diferenciais da exposição ao BPA em fetos masculinos e femininos observados em estudos epidemiológicos.

Os autores ainda indicam que as descobertas da pesquisa também abrem a possibilidade de um alvo terapêutico para drogas, mas ainda há um caminho a ser percorrido antes de entendermos completamente suas implicações, em particular se as gestantes devem evitar produtos contendo BPA.

 

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Referência

  1. ZOU, Zhiyong et al. Sex-specific effects of bisphenol A on the signaling pathway of ESRRG in the human placenta. Biology of reproduction, 2022.  Disponível em https://academic.oup.com/biolreprod/advance-article/doi/10.1093/biolre/ioac044/6537382?login=false. Acesso: 12 de maio de 2022.

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