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A tecnologia como ferramenta facilitadora de inclusão. Robótica Educacional para alunos com autismo

A tecnologia como ferramenta facilitadora de inclusão. Robótica Educacional para alunos com autismo
Maria de Lourdes  de Moraes Pezzuol
mar. 28 - 7 min de leitura
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Alunos com autismo, quando estimulados, demostram várias habilidades para vencer e superar desafios relacionados a gostos, interesses, afinidades e curiosidades. Apresentam formas diversas de interagir, se comunicar, se expressar e pensar,. Portanto, precisam ser mais respeitados dentro de seus perfis aprendentes.

Gostaria de compartilhar algumas experiencias pedagógicas para fortalecer a comemoração do dia 2 de abril, “Dia Mundial da Conscientização do Autismo”, celebrado em todo o mundo. A data é importante para sensibilizar a população e promover a inclusão e o respeito. O objetivo é chamar a atenção para a importância da detecção precoce, do diagnóstico e do tratamento adequado.

Pela primeira vez, o Censo de 2022 realizou levantamento que aborda o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em seu questionário de amostra.  Segundo pesquisas, esse questionário é mais detalhado e utilizado numa parcela menor da população (11%), equivalente a amostra de 8,5 milhões de domicílios.  A pergunta está listada com número 17, e sua resposta é para sim ou não.

O autismo é um transtorno neurobiológico que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento dos indivíduos que o possuem. Infelizmente, ainda existe muito estigma em relação ao autismo e muitas vezes as pessoas com essa condição enfrentam barreiras para a inclusão social e educacional. 

Robótica Educacional

Este texto é um recorte de uma experiência pedagógica de Robótica Educacional (RE), desenvolvida no Atendimento Educacional Especializado (AEE) para alunos com autismo, dentro de uma escola pública no estado de São Paulo. A atividade educacional tem como objetivo fazer uso da robótica pedagógica como uma metodologia facilitadora nos processos de ensino aprendizagem. Dentre os benefícios alcançados, a experiência contribuiu para o fortalecimento cognitivo das habilidades dos alunos envolvidos no projeto, bem como no impacto positivo relacionados aos aspectos socioemocionais.

O AEE é uma modalidade de atendimento que deve ser uma proposta eficiente para complementar a formação de todos os educandos da educação inclusiva, em relação ao fortalecimento da autonomia e da promoção do bem estar, para ampliar conhecimentos dentro da escola e fora dela. Deve possibilitar que esses estudantes transcorram todos os níveis, etapas e modalidades e disponibilize os recursos e serviço que os oriente e integre às novas estratégias de aprendizagem.

Destacamos também a importância do papel do professor na busca constante do desenvolvimento de novas competências para poder contribuir com o outro, aqui em destaque, alunos com autismo. Alunos que necessitam ser estimulados com métodos de ensino e estratégias inovadoras, pois são capazes de produzir materiais fabulosos e ficam muitos satisfeitos quando são reconhecidos e valorizados. Com a utilização dos recursos tecnológicos, que não são poucos, podemos auxiliar esses alunos com ganho significativo de forma prazerosa e criativa.

O termo “Tecnologia”, - de origem grega, tekne (“arte, técnica ou ofício”) e por logos (“conjunto de saberes”) - é utilizado para definir os conhecimentos que permitem fabricar objetos e modificar o meio ambiente, com vista a satisfazer às necessidades humanas. Saymour Papert (1985) observou que a robótica poderia ser trabalhada na sala de aula para desenvolver o ensino-aprendizagem, que muitas vezes era desenvolvido de forma teórica e pouco prática.

Lovato (2018), relata que muitos professores imaginam que toda aprendizagem é inerentemente ativa. Consideram que, enquanto o aluno participa assistindo uma aula expositiva, ele está ativamente envolvido. Contudo, pesquisas da ciência cognitiva apontam que os alunos devem fazer algo mais do que simplesmente ouvir para que a aprendizagem seja efetiva (Meyers & Jones, 1993).

Segundo pesquisas, atualmente a RE é considerada uma ferramenta pedagógica que utiliza vários recursos para construção de robôs com dispositivos eletrônicos para estimular o aprendizado e o interesse dos alunos em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). A STEM nada mais é que uma sigla para Science, Technology, Engineering and Mathematics. Mais precisamente esse termo se refere a um currículo baseado na ideia de educar estudantes nessas quatro áreas em uma abordagem interdisciplinar e aplicada.

Experiência pedagógica de RE no AEE para alunos com autismo

Atividades desenvolvidas: Concepção e construção de robôs e carrinhos, com ou sem a utilização de mecanismos automáticos e circuitos integrados.

Material utilizado: Kit (Modelix – Robotics), material que estava no acervo da escola (material antigo).

Estratégias de aprendizagem:

-   Apresentar os materiais para os alunos; separar as peças; explicar sobre os circuitos; estimular a elaboração de construções; aguçar a curiosidade, a criatividade e a inventividade, levantando e testando hipóteses; e fortalecer a promoção de um trabalho colaborativo;

 -  Promover noções de polo negativo e positivo de uma pilha para realizar movimentos simples (hélice) ou complexos (carrinho em movimento);

- Estimular a coordenação motora (principalmente a fina), lateralidade e a percepção sensorial para aperfeiçoar habilidades de encaixar e rosquear. Estímulo sensorial, pois ao rosquear parafusos e porcas, estas apresentam texturas e formatos diversos à serem explorados pelo tato.

Foto 01- Rosquear parafusos e porcas

Fonte: Arquivo pessoal


Foto 02- Criatividade e ludicidade nomeando o personagem (lego) e o carro por meio de uma história.

Fonte: Arquivo pessoal


Foto 03 - Fortalecer noções de polo negativo e positivo de uma pilha

Fonte: Arquivo pessoal


Foto 04 – Oficina de robótica organizada no pátio da escola para todos os alunos

Fonte: Arquivo pessoal


Assim, a RE precisa ser cada vez mais utilizada em escolas e instituições de ensino como uma metodologia ativa de aprendizagem, inovadora, criativa e diversificada para todos os alunos. Uma proposta educacional, que tem o potencial de transformar a forma como os alunos aprendem e se relacionam com a tecnologia e pode ajudar a reduzir as desigualdades educacionais e oferecer oportunidades para que todos os tenham acesso à tecnologia e ao conhecimento em STEM.

"Você não pode ensinar as pessoas tudo o que eles precisam saber. O melhor que você pode fazer é posicioná-los onde eles podem encontrar o que eles precisam saber quando precisam saber."  (Seymour Papert)

Referências:

PAPERT, Seymour. LOGO: Computadores e Educação. Tradução e prefácio de José A. Valente. São Paulo: Editora Brasiliense.1985.

PAPERT, Seymour. A Máquina das Crianças: Repensando a Escola na Era da Informática. Porto Alegre: Artmed Editora. 2008.

Lovato, Fabricio Luís, Angela Michelotti, and Elgion Lucio da Silva Loreto. "Metodologias ativas de aprendizagem: uma breve revisão." Acta Scientiae 20.2 (2018).

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