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Burnout e Depressão - o overlap em médicos intensivistas
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Burnout e Depressão - o overlap em médicos intensivistas

Desde a sua primeira descrição, em meados dos anos 70, nunca se falou tanto em  burnout como nos tempos atuais. Burnout é o termo que engloba a síndrome definida com alterações dos aspectos emocionais, exaustão, despersonalização, redução do desempenho profissional, os quais podem contribuir para o desenvolvimento de erros médicos e suicídio; o desenvolvimento do burnout é ligado diretamente ao estresse ocupacional crônico.

Um dos grupos médicos mais afetados são os intensivistas. Não é muito difícil compreender os motivos: longas jornadas de trabalhos, noites acordados,  vivência diária de situações de estresse extremo, contato com familiares e pacientes em quadros de extremo de vida e proximidade constante com a morte. Somado a isso, pressões de gestores, serviços e seguros de saúde; um prato cheio para o desenvolvimento da síndrome.

No entanto, não é fácil o diagnóstico, muitos profissionais se escondem atrás de situações do dia a dia, para justificar que não estão doentes. Além disso, o medo do preconceito e da perda de emprego também contribuem para que o médico não procure ajuda ou muitas vezes subestime o problema.

Neste contexto, a síndrome de burnout muitas vezes pode ser erroneamente diagnosticada como depressão.

Apesar de muitas vezes o burnout severo possuir características da síndrome depressiva, as duas são condições distintas. Em estudo recente publicado em setembro deste ano,  na revista Critical Care Medicine, 218 profissionais de unidades de terapia intensiva, dentre eles médicos e enfermeiros, responderam a um questionário onde tentava-se diferenciar o burnout da depressão. Destes profissionais 31% apresentavam sintomas de burnout , enquanto somente 7% sintomas depressivos. O que sugere que estes diagnósticos não são interligados, e sim, co-existam sintomas semelhantes em síndromes diferentes. 

O artigo também sugere que a monitorização constante dos profissionais de UTIs como uma "busca ativa" pelos sintomas de burnout para atuação e diagnóstico precoce, poderiam ter impacto para a saúde do staff e consequente redução de custos em saúde. 

Por fim, o burnout ainda é um problema de saúde pouco acessado, seja por dificuldade de acesso ao diagnóstico , seja por falta de dados que possam precisar o diagnóstico e conseqüentemente correto tratamento da síndrome.

Referências: The Overlap Between Burnout and Depression in ICU Staff, Critical Care Medicine; set/17

Roberta Fittipaldi Palazzo

Roberta Fittipaldi Palazzo

Medica pneumologista e intensivista. Pneumologista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), professora da pôs graduação de Terapia Intensiva do HIAE, cursando doutorado em Pneumologia na Universidade de São Paulo(USP).

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