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Prevenção do Câncer de Colo do Útero — um guia prático para profissionais da saúde

Prevenção do Câncer de Colo do Útero — um guia prático para profissionais da saúde

Visando capacitar médicos e profissionais que trabalham na Atenção Básica de Saúde — como enfermeiros, técnicos e agentes comunitários, a  Fundação do Câncer elaborou um  Guia Prático Prevenção do Câncer de Colo do Útero.

Além de aumentar a adesão às recomendações para a vacinação contra o HPV (e consequentemente, a cobertura vacinal) e fornecer orientações sobre o Câncer de colo do útero, a expectativa da função é melhorar o rastreamento da doença.

O guia contém informações e orientações como:

  •  Público-alvo da vacinação;
  • Quantidade de doses que são necessárias e os intervalos entre elas; 
  • Informações gerais sobre efetividade e segurança do imunizante;
  • Orientações práticas para que os profissionais consigam avaliar se crianças e adolescentes estão vacinadas contra o HPV, mesmo quando vão a consultas por outro motivo.

 Para ter acesso ao guia, clique aqui.

Cobertura vacinal

A vacinação contra o HPV começou em 2014,  destinada primeiro às meninas. Desde então, a primeira dose da vacina para meninas entre 9 e 14 anos alcançou 83% de cobertura, enquanto na segunda dose caiu para 57%.

Mais tarde, em 2017, a vacinação foi ampliada para os meninos na faixa etária de 11 a 14 anos. Até hoje, apenas 58% tomaram a primeira dose e apenas 36% a segunda.

Segundo a médica Flávia Miranda Corrêa, doutora em saúde coletiva, consultora da Fundação do Câncer e responsável pela pesquisa que se desmembrou no guia, a baixa cobertura vacinal entre a população masculina infantojuvenil deve-se a desinformação sobre os benefícios da vacina para os homens no combate de outros tipos de câncer, como boca, faringe e ânus.

Além disso, combater as fake news de que a vacina contra o HPV estimula a iniciação sexual precoce contribuirá para o aumento da adesão vacinal desse público. 

Equívocos médicos no rastreamento do Câncer de colo de útero

De acordo com o estudo da Dra. Flávia Miranda, 75% dos profissionais de saúde iniciavam o rastreamento de câncer de colo do útero em mulheres mais novas do que 25 anos, ou seja, fora da faixa preconizada — dos 25 até os 64 anos — gerando desperdício de recursos humanos e insumos.

Além disso, 93% rastreavam com periodicidade anual sendo que a recomendação é a cada três anos, após dois exames anuais sem anormalidade.

Conforme a cientista,  o rastreamento do câncer de colo de útero em idade menor que 25 anos pode ser mais prejudicial do que benéfico, visto que abaixo dessa idade há o pico de prevalência de infecção por HPV. Logo, a maioria das alterações está relacionada a infecção, porém regridem espontaneamente em mais de 95% dos casos.

Flávia também relatou que, no Brasil, os médicos coletam o preventivo de maneira equivocada, quando a adolescente inicia a atividade sexual ou quando há suspeita de infecção vaginal ou corrimento. Ao contrário dessa prática, o Papanicolau é para detecção de lesão precursora do câncer de colo do útero.

Sobre o perfil epidemiológico em relação ao conhecimento e práticas errôneas referentes à vacinação contra o HPV e ao rastreamento do câncer de colo do útero, o estudo concluiu que esses aspectos são mais insuficientes em pessoas com baixa renda, menor escolaridade, cor da pele parda ou negra, residência em áreas urbanas pobres e rurais, evidenciando a necessidade do guia para a promoção de educação em saúde e redução da mortalidade de uma doença que tem prevenção, como o câncer de colo de útero.

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Referência

1. AGÊNCIA BRASIL. Guia orienta profissionais de saúde sobre prevenção do câncer uterino. Disponível em  https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-03/guia-orienta-profissionais-de-saude-sobre-prevencao-do-cancer-uterino. Acesso em 20 de abril de 2022.

 

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