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Uma nova variante altamente virulenta do HIV-1 é descoberta na Europa

Uma nova variante altamente virulenta do HIV-1 é descoberta na Europa

 

Uma variante altamente transmissível e prejudicial do HIV (vírus da imunodeficiência humana) circula na Holanda há décadas, de acordo com um artigo publicado na revista Science em 3 de fevereiro de 2022. 

Alterações na carga viral e declínio das células T CD4 + são sinais esperados da evolução do HIV, mas, ao examinarem dados de coortes europeias bem caracterizadas, Chris Wymant e colaboradores relatam um subtipo de HIV excepcionalmente virulento que circula na Holanda há vários anos. Os pesquisadores estimam que a variante surgiu na década de 1990 na Holanda e se espalhou rapidamente durante a década de 2000. Sua circulação vem diminuindo desde cerca de 2010 – provavelmente como resultado dos esforços do país para conter a transmissão do HIV. Descobriu-se, também, que duas pessoas em outros países tinham a variante – uma na Suíça e outra na Bélgica – mas até agora nenhum caso foi identificado em outros lugares.

Mais de cem indivíduos infectados com uma linhagem característica do subtipo B do HIV-1 foram encontrados com uma taxa de declínio na contagem de células TCD4+ duas vezes maior do que o esperado. Os pesquisadores estimam que, sem tratamento, as pessoas infectadas com essa variante desenvolveriam AIDS dentro de 2 a 3 anos após o diagnóstico, em comparação com 6 a 7 anos para as pessoas infectadas com outras cepas de HIV.

Essa linhagem de vírus, de acordo com os pesquisadores, mostra extensa mudança em todo o genoma,  afetando quase 300 aminoácidos e tornando difícil discernir o mecanismo de virulência elevada.

A análise dos pacientes infectados sugere que a variante aumenta o número de partículas virais no sangue em até 5,5 vezes, tornando os portadores desta variante mais propensos a transmitir o vírus.

O HIV é um dos vírus de mutação mais rápida já estudados – as versões do vírus variam de pessoa para pessoa e às vezes até em um único indivíduo. Pesquisas anteriores documentaram mudanças na virulência geral do HIV, mas essas mudanças geralmente são resultado de muitas cepas adquirirem mutações diferentes. O estudo da Science é um exemplo de como as mudanças na virulência podem ser causadas por várias mutações em uma única cepa de HIV.

As descobertas servem como um lembrete de que os vírus nem sempre evoluem para se tornarem menos virulentos ao longo do tempo. Relatos de que infecções com a variante Omicron do SARS-CoV-2 tendem a causar sintomas leves de COVID-19 alimentaram a narrativa de que o vírus está se tornando menos mortal. Porém, de acordo com os pesquisadores, esta projeção não é correta. 

 

Referências:

Wymant C, et al. A highly virulent variant of HIV-1 circulating in the Netherlands. Science. 2022 Feb 4;375(6580):540-545. doi: 10.1126/science.abk1688. Epub 2022 Feb 3. PMID: 35113714.

 

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