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Gestantes são mais impactadas emocionalmente pela pandemia, afirmam pesquisas

Gestantes são mais impactadas emocionalmente pela pandemia, afirmam pesquisas

Gestantes e puérperas apresentam mais quadros de depressão, ansiedade e sofrimento mental durante  a pandemia de Covid-19. 

A pandemia de Covid-19 começou há mais de dois anos, e, desde então, trouxe à tona múltiplos impactos nas condições de vida, de morte, de saúde e de sobrevivência das pessoas. Além de ser considerada a maior crise sanitária da história, é também, uma crise humanitária, composta por várias dimensões que revelam prejuízos sociais, emocionais, econômicos, dentre outros.

Em 1947, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o conceito de saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas como a ausência de doença”. 

Porém, em crises sanitárias com tamanha magnitude como a  de Covid-19, caracterizadas pelo estado de alerta constante devido a fatores como: incertezas socioeconômicas,  medo de contaminação pelo vírus,  alterações na rotina e nas condições de acesso à saúde e garantia de direitos, as expectativas e condições de vida das diversas populações piorou muito.

As mulheres grávidas e puérperas, por exemplo, não só fazem parte de um grupo de alto risco em relação às possibilidades de infecção, como também estão mais expostas às altas taxas de mortalidade e suscetíveis aos sofrimento mental.

Vale lembrar que mesmo antes da pandemia, a literatura científica comprova que a fase da gestação e do puerpério é uma etapa na vida das mulheres não só pelo desequilíbrio imunológico, como também pelos fatores estressores que se acentuam neste momento devido às mudanças físicas e psicológicas. 

Com a pandemia, as gestantes e mães tiveram que lidar com situações muito específicas como a quebra de expectativas em relação ao planejamento da gestação e do parto, bem como a falta de apoio social ou necessidades de reorganizar essas redes.

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Saúde mental das gestantes piora com a ocorrência de  sintomas de ansiedade e depressão 

Interessados na temática, cientistas especializados em psiquiatria e atuantes no General  Hospital Boston, dos Estados Unidos, revelaram em pesquisa publicada no Journal of Affective Disorders Reports que  um terço das mulheres grávidas vivenciou impactos emocionais elevados durante a pandemia — ou seja, cerca de 30 a 45%  do grupo pesquisado. Ao todo, a pesquisa foi realizada 3.696  gestantes ou puérperas, maiores de 18 anos e residentes em 12 países.

O estudo foi realizado pela internet, entre os dias 26 de maio e 13 de junho de 2020, pela plataforma Pregistry para estudos Covid-19 e as mulheres responderam um formulário que incluía dados sociodemográficos e perguntas sobre os impactos comportamentais psicológicos e de saúde em meio à pandemia.

O convite às participantes foi feito por meio de fóruns on-line e redes sociais específicas para grupos de mães, nos seguintes idiomas: árabe, chinês, inglês, francês, alemão, italiano, coreano, português, russo, espanhol , turco e urdu.

Deste modo, o principal objetivo da pesquisa foi descrever os impactos da Covid-19 associados a privação sono, limitações na prática de exercícios físicos, restrições e mudanças na dieta e outros fatores de comportamento e testar as associações deste comportamento à ocorrência de sintomas elevados de depressão e ansiedade.

O tema  saúde mental das mulheres grávidas e puérperas também vem sendo analisado por pesquisadores no Brasil. O artigo “A influência do isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19 na saúde mental de gestantes”, publicado por  Santana et al.(2021) consiste em uma revisão de literatura integrativa, com análise qualitativa de 9 artigos publicados entre 2020 e 2021, com maior relevância nas plataformas SciElo, Pubmed e Scholar Google.

A conclusão: o isolamento social tem relação direta com os sintomas mais prevalentes de depressão e ansiedade nas gestantes - o que pode piorar sem apoio social ou ser amenizado quando a mulher tem acesso a suporte psicológico, além de tratamento especializado.

Se antes da pandemia, a saúde mental já era uma pauta de extrema importância para a comunidade médica e científica, a crise sanitária de Covid-19 expõe uma fratura social urgente: a importância do olhar humanizado para esse tema, com recortes que consideram gênero, condições socioeconômicas de acesso à saúde e as especificidades do contexto de cada paciente.

A partir das pesquisas, deixamos aqui um convite para reflexão da comunidade médica: como profissionais de saúde mental podem atuar de forma interdisciplinar com especialistas de outras áreas para buscar soluções que atendam às demandas das mulheres mais impactadas emocionalmente nessas condições específicas? De que forma as políticas públicas e projetos da iniciativa privada ou do terceiro setor podem ser integrados de forma estratégica para atender esse público? 

Você tem alguma consideração para enriquecer o debate sobre esse assunto? Deixe seu comentário no post!

 

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Referências

MINISTÉRIO DA SAÚDE, Biblioteca Virtual em Saúde. Dia Nacional da Saúde. Disponível em: http://bitly.ws/oy2k. Acesso em 15 fev. 2022

CHOI, Karmel W. et al. Impactos percebidos do COVID-19 no sono, condicionamento físico e dieta e associações com a saúde mental durante a gravidez: um estudo transnacional. Jornal de relatórios de transtornos afetivos , 2021. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2666915321002109. Acesso em 15 fev. 2022.

SANTANA, PRR; VASCONCELLOS, MLM de; MACEDO, FS de; GONÇALVES, IM. A influência do isolamento social decorrente da pandemia de COVID-19 na saúde mental de gestantes: revisão de literatura. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento , [S. l.] , v. 10, n. 13, pág. e77101321208, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i13.21208. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/21208 . Acesso em 15 fev. 2022.

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Academia Médica
Bruna Martins Oliveira
Bruna Martins Oliveira Seguir

Jornalista graduada pela PUCPR e Mestranda em Informação e Comunicação em Saúde pelo PPGICS da Fiocruz. Atualmente, pesquiso sobre saúde mental, mulheres e redes de apoio e comunicação.

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