[ editar artigo]

A medicina na guerra e seu legado de inovação

A medicina na guerra e seu legado de inovação

Desde a idade da pedra, muito antes das sociedades e exércitos organizados, pessoas já lutavam com violência em prol de seus interesses e necessidades. Desde então, havia os cuidadores dos feridos pela luta. Entretanto, o que chamamos atualmente de medicina militar é fruto dos séculos 19 e 20. Essa medicina, devido às dificuldades encontradas em seu percurso, foi a responsável por desenvolvimentos e inovações da medicina clínica e cirúrgica(1). 

Voltando um pouco na história, no século 15 a medicina clássica não era muito eficaz para ser aplicada no campo de batalha. Nessa época, a medicina redescobriu a medicina greco-romana e combinava a teoria humoral da doença com a astrologia(1). Para compor um medicamento, era preciso diagnosticar quais humores estavam envolvidos, determinar a casa do zodíaco sob o qual o paciente nasceu e preparar o medicamento apropriado(1). Mas, toda essa teoria não era muito útil no tratamento de uma ferida, ou mesmo para lancetar um furúnculo ou remover um tumor. Por isso, eram os cirurgiões barbeiros que iriam para a guerra, pois, mesmo sendo menos instruídos, eles eram mais práticos(1).

Os grandes avanços no tratamento de feridas começaram a aparecer no século 18 com o desenvolvimento do torniquete, uso do fórceps para remoção de munições e o desbridamento das feridas. Mas foi no século 19, com as Guerras Napoleônicas de exércitos de 100.000 ou mais espalhados por toda a Europa, que a medicina teve maior desenvolvimento. Na época foram criados o sistema de triagem, a ambulância volante ou voadora e a formalização dos hospitais de campanha. 

Um dos objetivos da medicina militar é manter os soldados preparados para a ação, o que exige, além do cuidado com os ferimentos e traumas, prevenir e controlar doenças que podem devastar um exército de forma tão eficaz quanto qualquer arma de fogo(2).

 Apesar de ser desenvolvida em uma situação lamentável, de extremo sofrimento e com consequências sociodemográficas irreparáveis, a medicina em tempos de guerra promove inovação, investimento em pesquisa e desenvolvimento em ciência e tecnologia. Como alguns exemplos disso, além dos citados anteriormente, temos a anestesia, aumento do uso de transfusões sanguíneas e os antibióticos (2,3). Embora os legados das batalhas anteriores tenham sido positivos para o desenvolvimento da medicina,  é inadmissível o apoio à qualquer guerra. 

Artigos relacionados 

• OMS disponibiliza US$ 3,5 milhões para compra de suprimentos médicos na Ucrânia

Médicos na Guerra: Curso gratuito da Cruz Vermelha para médicos que atuam em guerras ou emergências

 •A medicina, Sun Tzu e a Arte da guerra, o que tem a ver? R: “Quase tudo”, segundo este que vos fala.

Referências

  1. Van Way C 3rd. War and Trauma: A History of Military Medicine. Mo Med. 2016 Jul-Aug;113(4):260-263. PMID: 30228466; PMCID: PMC6139913. 

  2. Science Museum, MEDICINE IN THE WAR ZONE. 15 Jan 2019. Disponível em https://www.sciencemuseum.org.uk/objects-and-stories/medicine/medicine-war-zone

  3. Foreign Policy Research Institute, Advances in Medicine During Wars. Fev 2018. Disponível em https://www.fpri.org/article/2018/02/advances-in-medicine-during-wars/ 

 

Academia Médica
O que a faculdade esquece de falar!
O que a faculdade esquece de falar! Seguir

Página da redação da Academia Médica para divulgar atualizações pertinentes aos médicos, acadêmicos de medicina e profissionais de saúde.

Ler conteúdo completo
Indicados para você