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Miopericardite após a vacinação COVID-19 é rara, constata estudo internacional

Miopericardite após a vacinação COVID-19 é rara, constata estudo internacional

 

Pesquisadores decidiram investigar, por meio de meta-análise, o impacto da vacinação contra a COVID-19 na incidência de miopericardite. Na pesquisa, eles fizeram uma comparação entre a  apresentação de miopericardite após a vacinação com a de outras doenças, como influenza, varíola e outras. Além da incidência de miocardite e pericardite, o estudo também estimou as taxas de mortalidade decorrentes da doença após a vacinação. Os resultados do estudo foram publicados na  revista The Lancet Respiratory Medicine.

A equipe pesquisou bancos de dados, incluindo MEDLINE, Pubmed, Embase, Cochrane e Scopus para estudos relevantes e coletou dados usando um formulário de extração de dados pré-especificado. Eles também avaliaram o número de pacientes que sofrem de miopericardite, o número total de vacinas administradas e a taxa de incidência relacionada.

Os pesquisadores examinaram a diferença na incidência de miopericardite entre subpopulações que foram pré-especificadas com base no tipo de vacina administrada —contra a COVID-19 ou conta influenza e varíola, por exemplo). As vacinas contra a COVID-19 de mRNA ou não mRNA também foram consideradas em relação e os pesquisadores consideraram a faixa etária,  dividida em população pediátrica ou adulta. Além disso, a incidência de miopericardite foi comparada com base no sexo e no número de doses da vacina de COVID-19 administradas.

O desfecho primário do estudo foi a incidência de miopericardite (miocardite e/ou pericardite) após qualquer vacinação, enquanto os desfechos secundários foram as incidências de miocardite, pericardite e as taxas de mortalidade relacionadas após qualquer vacinação.

Foram analisadas 156 publicações em texto completo e 22 estudos observacionais, que incluíram 4.05.272.721 doses de vacina. Entre os estudos, 11 relataram 3.95.361.933 doses de vacinas de COVID-19, seis relataram 2.900.274 doses de vacinas contra varíola, dois relataram 1.521.782 doses de vacinas contra influenza e três relataram outras vacinas não COVID-19. Dos nove estudos que descreveram o tipo de vacinas contra a COVID-19, 2.90.730.653 e 51.969.677 doses foram de vacinas de mRNA e não-mRNA, respectivamente.

A equipe relatou uma incidência geral de miopericardite de 33,3 casos por milhão de doses de vacina. A incidência geral de miopericardite não diferiu substancialmente após a administração de vacinas COVID-19 em comparação com outros imunizantes.

No entanto, uma comparação da vacina de COVID-19 com cada vacina não COVID-19 mostrou uma diferença notável entre diferentes subpopulações. A incidência de miopericardite foi de 1,3 por milhão de doses de vacina contra influenza, 132,1 por milhão de doses de vacina contra varíola e 57 por milhão de doses de outras vacinas não-COVID-19.

Assim, os resultados do estudo mostraram que a incidência geral de miopericardite após receber as vacinas contra a COVID-19 foi semelhante àquela observada após a vacinação contra a gripe, porém menor do que após a vacinação contra a varíola.

A incidência de miopericardite não diferiu significativamente entre adultos (com 18 anos ou mais) e populações pediátricas. No entanto, uma incidência de miopericardite substancialmente maior foi observada em vacinados com mRNA em comparação com vacinados com vacinas baseadas em outras tecnologias. 

Além disso, entre os vacinados contra COVID-19, os homens com idade inferior e superior a 30 anos apresentaram suscetibilidade 10 e 3 vezes maior à miopericardite, respectivamente, do que as mulheres com idade superior a 30 anos. Além disso, indivíduos duplamente vacinados apresentaram maior incidência de miopericardite do que aqueles que foram vacinados com somente uma dose.

Ademais, os cientistas descobriram que a idade estava negativamente correlacionada com a incidência de miopericardite em vacinados com COVID-19. Por fim, a probabilidade de incidência de miopericardite foi menor em vacinados contra a  COVID-19 do que em não vacinados que foram infectados pelo Sars-CoV-2.

Os autores reconhecem algumas limitações com este estudo, particularmente observando que os achados incluem apenas uma pequena proporção de crianças menores de 12 anos que só recentemente foram elegíveis para vacinação e que os resultados não podem ser generalizados para essa faixa etária.

Por fim, foram feitas comparações em diferentes períodos  para diferentes vacinas. As ferramentas de diagnóstico podem ter diferido ou não estar disponíveis, levando a uma menor notificação de casos em estudos anteriores.

 

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Referência

  1. LING, Ryan Ruiyang et al. Myopericarditis following COVID-19 vaccination and non-COVID-19 vaccination: a systematic review and meta-analysis. The Lancet Respiratory Medicine, 2022. Disponível em: . Doi: https://doi.org/10.1016/S2213-2600(22)00059. Acesso em: 08 de maio de 2022.

 

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