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Pesquisa mostra que obesidade também está associada ao diabetes tipo 1 – não apenas ao tipo 2

Pesquisa mostra que obesidade também está associada ao diabetes tipo 1 – não apenas ao tipo 2

 

Um novo estudo publicado no periódico Diabetologia e apresentado na reunião anual de 2022 da American Diabetes Association (ADA) mostra que o índice de massa corporal (IMC) excessivamente alto em adolescentes está ligado ao desenvolvimento de diabetes tipo 1, não apenas ao tipo 2, usualmente associada ao excesso de peso.

O diabetes tipo 1 geralmente é referido como diabetes infantil, embora também possa se desenvolver na adolescência e na idade adulta. No entanto, a epidemia de diabetes que cresce rapidamente em quase todos os países hoje consiste principalmente em casos de diabetes tipo 2, ligados a fatores de risco como obesidade, sedentarismo e alto consumo de alimentos ultraprocessados.

Recentemente, estudos em crianças relataram uma associação entre o aumento do IMC e o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 1, mas as evidências no final da adolescência são limitadas, embora aproximadamente 50% dos casos de diabetes tipo 1 se desenvolvem a partir dos 18 anos. Desta forma, neste novo estudo os autores analisaram a relação entre o IMC no final da adolescência e o surgimento de diabetes tipo 1 na idade adulta jovem.

Neste estudo conduzido em Israel, foram incluídos para análise todos os adolescentes com idades entre 16 e 19 anos submetidos a avaliação médica em preparação para o recrutamento militar obrigatório entre janeiro de 1996 e dezembro de 2016 , exceto aqueles que possuíssem histórico de concentrações de glicose sérica anormais. 

Os dados de peso e a altura foram medidos no início do estudo e a modelagem estatística foi usada para calcular qualquer risco excessivo de diabetes tipo 1 associado ao sobrepeso ou obesidade. No total, dados de 1,46 milhão de adolescentes foram utilizados na pesquisa. Os dados foram vinculados a informações sobre o início do diabetes tipo 1 em adultos no Registro Nacional de Diabetes de Israel. 

Houve 777 novos casos de diabetes tipo 1 durante 15.819.750 pessoas-anos de acompanhamento (idade média ao diagnóstico aos 25 anos). Em um modelo estatístico ajustado para idade, sexo e outras variáveis, os pesquisadores observaram que o risco de diabetes tipo 1 aumentou de forma direta ao IMC.

Comparados com adolescentes classificados como IMC ótimo (5º a 49º percentis de IMC de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), os adolescentes com obesidade (acima do 95º percentil) tiveram o dobro do risco de desenvolver o tipo 1, enquanto aqueles com excesso de peso (percentil 85º-94º do IMC) tiveram um risco aumentado de 54%. Um leve aumento do risco (41%) foi evidente nos valores de IMC da faixa normal mais alta (75º-84º percentis). Os autores afirmam ainda que a cada 5 kg/m² a mais aumenta em 35% o risco ajustado para desenvolver diabetes tipo 1.

Os autores discutem que existem evidências crescentes que relacionam a presença de obesidade a várias condições autoimunes. Uma possível explicação seria que os níveis elevados de adipocinas inflamatórias e citocinas associadas à obesidade diminuem a autotolerância ao promover processos pró-inflamatórios que levam à produção de autoanticorpos e ao diabetes.

Os pesquisadores ressaltam que este trabalho contribui para as crescentes evidências sobre os riscos à saúde associados à obesidade na adolescência. Não apenas a obesidade na adolescência está correlacionada com o início do diabetes tipo 2 na idade adulta, como relatado anteriormente, mas também com o diabetes tipo 1.

 

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Referências:

Zucker, I., Zloof, Y., Bardugo, A. et al. Obesity in late adolescence and incident type 1 diabetes in young adulthood. Diabetologia (2022). https://doi.org/10.1007/s00125-022-05722-5 Disponível em https://link.springer.com/article/10.1007/s00125-022-05722-5#citeas

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