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Usar a amostra da saliva é melhor para o diagnóstico e screening da COVID-19?

Usar a amostra da saliva é melhor para o diagnóstico e screening da COVID-19?

Se você não sabia o que era RT-PCR provavelmente durante a pandemia passou a saber de tanto ver a utilização desse método diagnóstico para a detecção da presença do vírus causador da COVID-19 (SARS-CoV-2) em amostras de pacientes.

E nesse artigo, você saberá a diferença entre o RT-PCR com amostra provinda da nasofaringe e o RT-PCR proveniente da saliva.

 

Qual é o local padrão de coleta?

O padrão atual para a coleta de material é a partir da nasofaringe, no entanto o uso de amostra de saliva se mostra atrativa em comparação ao padrão, pela maior facilidade na obtenção do material, além de necessitar do mínimo de suprimentos.

Os pesquisadores conduziram um estudo longitudinal e prospectivo a fim de investigar em que momentos o teste da saliva se faz tão eficaz quanto o teste a partir da amostra da nasofaringe.

Como esse estudo foi realizado?

Entre 17 de junho de 2020 a 15 de fevereiro de 2021 uma amostra de indivíduos expostos a uma pessoa confirmada no domicílio foi coletada após duas semanas da confirmação do convivente.

Os participantes foram recrutados no Hospital infantil da cidade de Los Angeles e nos locais que estavam realizando testes na comunidade dentro do estudo Household Exposure and Respiratory Virus Transmission and Immunity (HEARTS).

 

Em relação aos testes

Houve confrontação do resultado das amostras provenientes da nasofaringe e da saliva, as amostras foram coletadas entre 3 a 7 dias e acompanhadas por 4 semanas ou até que 2 testes provenientes da nasofaringe se mostrassem negativos.

O RT-PCR foi realizado para os genes N1 e N2.

A sensibilidade do teste a partir da amostra de saliva utilizou os PCR positivos de nasofaringe como parâmetro.

E quais foram as conclusões?

Foram realizadas 889 comparações entre esses 2 exames, os exames foram coletados de 404 pacientes.

O SARS-CoV-2 foi detectado em 524 testes nasofaríngeos (58,9%) e 318 no teste de saliva (35,7%).

O vírus em questão foi detectado em ambas as amostras em 258 casos (29%). 

Das 256 pessoas positivadas pelo teste nasofaríngeo, a idade média foi 28,2 anos de idade, variando entre (3 e 84,5 anos), 108 das pessoas eram homens.

A sensibilidade do teste de saliva foi maior em amostras coletadas na primeira semana de infecção com 71,2% (variando de 62,6 a 78,8%), no entanto decresceu nas semanas subsequentes como mostra a figura a seguir:

Fonte: doi:10.1001/jama.2021.13967

Quando comparada à sensibilidade do teste entre pessoas sintomáticas e assintomáticas, percebeu-se que pessoas sintomáticas tendiam a ter suas amostras mais positivadas em relação ao outro grupo, com um valor relativo de 88,2% (variando entre 77,6 a 95,1%) versus 58,2% (46,3%  69,5%). A sensibilidade do teste de saliva continuou mais alto nos pacientes sintomáticos também na segunda semana de teste (83% vs 52,6%). 

A partir da segunda semana não houve diferença significativa.

As sensibilidades não variaram entre pessoas nunca sintomáticas, pré-sintomáticas e pós -sintomáticas.

O ODDS ratio para a detecção na saliva foi de 0,94 (0,91-0,96) a cada dia que se passava em relação ao dia anterior.

O ODDS RATIO para a positivação no teste de saliva em pessoas com alta carga viral ou com sintomas detectados no teste nasofaríngeo foi de 2,8. E houve também 5,2 (2,9-9,3) mais chance do teste ser positivo quando comparado com pacientes assintomáticos ou com teste nasofaríngeo com baixa carga viral.

E qual é a conclusão que se obtêm com todos esses dados?

O teste de saliva para a detecção do novo coronavírus em indivíduos assintomáticos se mostrou sensível nas semanas iniciais da infecção, no entanto a sensibilidade em pacientes assintomáticos foi menos do que 60% em todos os intervalos de dias da coleta.

Com isso, deve-se considerar a baixa sensibilidade do teste para realizar screening em locais de trabalho, escolas e outros locais compartilhados.

Como conclusão, sugere-se que o teste de saliva não fosse utilizado para o screening em pacientes assintomáticos.

Limitações do estudo

Dentre as limitações levantadas pelo estudo está a de que os testes foram coletados a partir da exposição intradomiciliar a um infectado por coabitante.

O fato do teste nasofaríngeo para RT-PCR não ser um teste perfeito.

Assim como a impossibilidade de garantir que um teste positivo depois de 10 dias de infecção não predizer que não houve infecção viral ou que não houve infecção.

Para saber mais das nuances do estudo e os pormenores, pode acessá-lo, clicando aqui.

 

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Escrito por Yan Kubiak Canquerino - Colaborador da Academia Médica


 

Referência

Change in Saliva RT-PCR Sensitivity Over the Course of SARS-CoV-2 Infection | Infectious Diseases | JAMA | JAMA Network. Acesso em 19/08/2021.

 

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