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Relaxamento do uso das máscaras: será que realmente é hora?

Relaxamento do uso das máscaras: será que realmente é hora?

 

O relaxamento do uso das máscaras e  o fim da obrigatoriedade delas em ambientes abertos é um tema que está dando o que falar: nos noticiários, nas redes sociais, na comunidade médica e nos grupos de WhatsApp. Consequentemente, muitas pessoas estão perdidas sobre o que fazer.

Especialistas alertam que, apesar de a pandemia de COVID-19 ter completado exatos três anos no último dia 11 de março, a decisão é equivocada. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirmou, em uma postagem oficial, que a decisão de retirar as máscaras é prematura e, segundo os pesquisadores responsáveis pela mais recente edição do Boletim do Observatório Covid-19 flexibilizar os cuidados neste momento, sem critérios, é um risco para o aumento de casos da doença, novas internações e óbitos.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS emitiu um comunicado sobre o monitoramento da variante Deltacron, reforçando o posicionamento do diretor- geral da instituição, Tedros Adhanom, que ressalta que “a pandemia está longe de acabar” Na contramão das recomendações,  o cenário brasileiro atual é marcado por disputas de narrativas sobre a flexibilização do acessório de proteção, além das informações contraditórias e das reais consequências que essa mudança pode gerar.

De acordo com nota da Agência Brasil, o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se reuniram na terça-feira (15) para discutir a possibilidade do país alterar o estado de pandemia para endemia de COVID-19. Jair Bolsonaro também se posicionou sobre o assunto e, de acordo com declarações concedidas à imprensa, atualmente, a pasta do MS busca apoio de representantes dos outros poderes para levar adiante essa decisão.

Leia também: Dicionário do COVID-19: Pandemia, Epidemia e Endemia

Relaxamento do uso das máscaras: é o fim da obrigatoriedade para todos os estados? 

Segundo a Agência Brasil, mais de 10 estados brasileiros e o Distrito Federal anunciaram a flexibilização do acessório nos últimos dias e o posicionamento entre os órgãos governamentais continua sendo atualizado.

O Governo do Estado do Paraná, por exemplo, confirmou o fim do uso obrigatório das máscaras somente em ambientes abertos a partir desta quinta-feira (17). De acordo com postagem no perfil oficial do Instagram, o órgão justificou que "a medida baseia-se na melhoria de diferentes indicadores da pandemia, como o avanço da vacinação (quase 80% da população tem cobertura vacinal completa) e a diminuição do número de mortes e casos mais graves do dia”.

Vale destacar que os estados e municípios possuem total autonomia para decidir sobre o assunto. Ou seja: não há unanimidade nas orientações para população quanto às restrições do uso da máscara e das medidas de distanciamento.

Grupos vulneráveis x relaxamento das máscaras: afinal, o que é seguro?

Uma das preocupações levantadas por entidades como a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia  (SBGG), é justamente sobre os impactos negativos que a retirada das máscaras pode trazer às pessoas idosas que são mais vulneráveis e, portanto, mais suscetíveis ao desenvolvimento de formas graves da COVID-19 mesmo com o esquema vacinal completo.

O mesmo alerta vale para pessoas com comorbidades.  De acordo com o Ministério da Saúde, são classificadas como comorbidades graves

  • Doenças do coração;

  • Insuficiência cardíaca;

  • Síndromes coronarianas;

  • Valvopatias;

  • Cardiopatia hipertensiva;

  • Miocardiopatias;

  • Pericardiopatias;

  • Arritmias cardíacas;

  • Cardiopatias congênitas;

  • Diabetes;

  • Pneumopatias crônicas graves;

  •  Hipertensão arterial;

  • Doença cerebrovascular;

  • Doença renal crônica;

  • Anemia falciforme;

  • Cirrose hepática;

  • Obesidade mórbida;

  • Doenças neurológicas graves;

  • HIV, doenças inflamatórias e outras enfermidades que geram imunossupressão.

Dado o cenário, não há como garantir a segurança e proteção à vida diante do relaxamento no uso das máscaras. No entanto, há quem pense o contrário…

E você, o que pensa a respeito dessa situação?

A Comunidade da Academia Médica quer saber sobre as diferentes perspectivas sobre o tema. Deixe seu comentário!

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Referências

  1. AGÊNCIA BRASIL. Ministro pede ao Senado para rebaixar covid-19 à situação da endemia. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-03/ministro-pede-ao-senado-para-rebaixar-covid-19-situacao-de-endemia. Acesso em 17 de março de 2022.
  2. AGÊNCIA BRASIL. Ao menos 11 unidades federativas flexibilizaram uso de máscaras. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-03/ao-menos-11-unidades-federativas-ja-flexibilizaram-uso-de-mascaras. Acesso em 17 de março de 2022.
  3. AGÊNCIA FIOCRUZ. Observatório Covid-19 aponta relaxamento prematuro de medidas protetivas. Disponível em: encurtador.com.br/gvxS0. Acesso em 17 de março de 2022.
  4. UFRGS.  Quais as comorbidades são consideradas prioritárias para a vacinação contra a COVID-19?. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/posts_coronavirus/quais-as-comorbidades-sao-consideradas-prioritarias-para-a-vacinacao-contra-a-covid-19/. Acesso em 17 de março de 2022.
  5. Governo do Paraná. Em locais abertos, uso de máscaras não é mais obrigatório. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CbLhT8pDJHs/. Acesso em 17 de março de 2022.

 

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