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10% das mortes prematuras e evitáveis no Brasil poderiam ser poupadas com alimentação saudável

10% das mortes prematuras e evitáveis no Brasil poderiam ser poupadas com alimentação saudável
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nov. 9 - 3 min de leitura
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Publicado no American Journal of Preventive Medicine, estudo brasileiro descobriu que o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados foi associado a mais de 10% das mortes prematuras e evitáveis por todas as causas no Brasil em 2019, mesmo com a população brasileira  consumindo muito menos desses produtos do que países desenvolvidos.

Os alimentos ultraprocessados são formulações industriais prontas para consumo ou para aquecer e consumir, que são elaboradas com ingredientes extraídos de alimentos ou são sintetizados em laboratórios. Por sua facilidade e comodidade no consumo, os ultraprocessados vêm, em muitos países, substituindo gradativamente os alimentos e refeições tradicionais feitos com ingredientes in natura e minimamente processados.

Alguns exemplos dos ultraprocessados são: sopas pré-embaladas, molhos prontos, pizza congelada, carnes prontas para o consumo, cachorro-quente, salcichas, refrigerantes, sorvetes, biscoitos, bolos, doces e donuts comprados em lojas.

Durante o período analisado no estudo, houve aumento de 8% no consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil. Além disso, 541.260 adultos com idade entre 30 e 69 anos morreram prematuramente em 2019, sendo que 261.061 dessas novas mortes eram de doenças evitáveis e não transmissíveis, como diabetes, doença cardiovascular e câncer.

Segundo o estudo, cerca de 57 mil mortes em 2019 poderiam ser atribuídas ao consumo de ultraprocessados, correspondendo a 10,5% das mortes prematuras naquele ano e 21,8% de todas as mortes de doenças evitáveis e não transmissíveis em adultos de 30 a 69 anos. Os pesquisadores responsáveis afirmaram que em países desenvolvidos com Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália, onde o consumo de ultraprocessados é maior, o impacto estimado também é maior.

Segundo os autores, a redução do consumo de ultraprocessados entre 10% e 50% poderia prevenir entre 5.900 e 29.300 mortes prematuras no Brasil por ano. Os autores ressaltam que o consumo de ultraprocessados está associado a muitos desfechos de doenças, como obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, alguns tipos de câncer e outras doenças. Vários mecanismos para as associações foram postulados pelos pesquisadores, incluindo atributos típicos dos ultraprocessados, como baixo potencial de saciedade, altas cargas glicêmicas, maior presença de aditivos e contaminantes recém-formados durante o processamento ou liberados de embalagens sintéticas.

Além disso, os ultraprocessados têm sido associados com a deterioração geral da qualidade nutricional da dieta e aumento do risco de obesidade.

Referência:

Premature Deaths Attributable to the Consumption of Ultraprocessed Foods in Brazil, American Journal of Preventive Medicine (2022). 

DOI: 10.1016/j.amepre.2022.08.013 

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