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Lições de vida depois de uma carreira em medicina intensiva

Lições de vida depois de uma carreira em medicina intensiva

O médico J. Randall Curtis é um dos intensivistas mais conhecidos e produtivos do mundo e, em março de 2021 foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que leva a uma paralisia progressiva que acaba impedindo tarefas simples como andar, mastigar, falar ou respirar e, por isso, é considerada uma doença muito grave.

No dia 08 de novembro, Curtis publicou um comentário no periódico Intensive Care Medicine sobre as suas impressões - e lições - da vida após o diagnóstico.

"Passei os últimos 30 anos trabalhando em medicina intensiva. [...] Em primeiro lugar, aproveitei a oportunidade de cuidar dos pacientes mais enfermos do hospital e de usar tecnologia, evidências e experiência para tentar salvar suas vidas. Em segundo lugar, gostei do trabalho em equipe interprofissional inerente à terapia intensiva de alta qualidade. Gostei de ser “o médico responsável” e de saber que minha experiência era quase inútil sem a incrível equipe que trabalha junto na unidade de terapia intensiva. Finalmente, se pudéssemos salvar a vida de um paciente, tive a honra de cuidar dos pacientes e de suas famílias durante este período incrivelmente difícil de suas vidas - para encontrar maneiras de apoiá-los em todos os reinos, incluindo físico, psicológico, social e espiritual."

 

A primeira lição, segundo o autor, é trabalhar com pessoas de quem você gosta e até ama. Isso inclui médicos, enfermeiros, terapeutas respiratórios, pesquisadores e equipes de pesquisa. "Tenho conseguido me cercar, em meu ambiente de trabalho, de pessoas de quem gosto muito. Eu recomendo que você faça o mesmo sempre que possível.".

A segunda lição é tirar licenças sabáticas: "...o ano sabático me deu a oportunidade de recarregar as baterias com tempo e espaço para me reconectar com o porquê de adorar o que faço e pensar de forma verdadeiramente criativa sobre meu trabalho.". Curtis ressalta que, embora nem todos possam usufruir de licenças sabáticas e viajar para outros lugares com frequência, todos podem encontrar maneiras de criar tempo e espaço para recarregar, nutrir sua criatividade e refletir sobre o que é mais importante para eles sobre seu trabalho.

A terceira lição é, de acordo com o autor, priorizar sua família. "Não vou fingir que sempre coloquei minha família em primeiro lugar ao longo de minha carreira - tive alguns lapsos. Mas, depois de ter caído, descobri que é muito gratificante voltar a me centrar e reorientar minhas prioridades para trazer minha família de volta ao centro.", relata Curtis.


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Por último, o autor deixa a sua lição final: "... viver todos os dias como se eu tivesse uma doença terminal. Eu não pretendo glorificar o fato de ter uma doença terminal por nenhum esforço da imaginação! Eu daria quase tudo para não ter ALS. No entanto, ter essa doença me permitiu focar no que é mais importante para mim e deixar de lado as coisas que não são tão importantes."

O médico conclui afirmando que estas recomendações podem não ser abrangentes ou universais para todos. Porém, ele as compartilha na convicção de que podem ajudar outras pessoas, especialmente a encontrarem essa força mesmo quando não forem colocados na posição de uma doença terminal.

 

figura 1Figura 1: Lições de vida depois de uma carreira em medicina intensiva. Fonte: Curtis, 2021.

 

Referências:

Curtis, J.R. Life lessons after a career in intensive care medicine. Intensive Care Med (2021). https://doi.org/10.1007/s00134-021-06567-z

 

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