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Maria Montessori: educar é o melhor remédio! - Parte 9

Maria Montessori: educar é o melhor remédio! - Parte 9

 

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Ainda que Montessori tenha criado o método e boa parte dos materiais, ela não era exatamente professora das crianças, o que ela fazia mesmo era ensinar os adultos a usarem seu método, como eu disse antes, ela viajou por diversos países do mundo ministrando cursos e treinando professores. Até mesmo na Casa dei Bambini, ela não passava o tempo ali junto com as crianças, ela orientou a  Cândida Nuccitelli a atuar de acordo com seus conceitos, mas ela também tinha outros compromissos por fora. Ela fazia questão de estar a frente desses programas, primeiro, porque essa era sua principal fonte de renda, segundo, porque dessa forma ela conseguiria manter o padrão de qualidade adequado. Em contrapartida, o fato dela querer estar sempre presente acabava também limitando as possibilidades de crescimento do número de suas escolas. Ela também foi escritora, algumas de suas palestras também foram depois transformadas em livros. 

Quando eu digo "suas escolas" não quer dizer que ela era dona da escola, isso significa que a escola, onde quer que fosse, contava com professores que haviam passado por esses cursos que ela dava. Em 1932, na Alemanha, existiam 35, depois foram fechadas com a ascensão do nazismo. Na mesma época existiam mais de 200 na Holanda, tanto que em 1935 a sede da Association Montessori Internationale (AMI), que havia sido fundada alguns anos antes, deixou Berlin e se mudou para Amsterdã. Então a gente começa a perceber que ela era uma pessoa que viajava bastante, certamente falava várias línguas, nasceu em Chiaravalle na Itália, traduziu o livro do Séguin em francês, morou quase 20 anos na Catalunha, depois na Holanda, na Índia, vira e mexe estava os EUA. Além das viagens mais curtas pela Bélgica, Suíça… Certamente ela tinha um passaporte bem recheado de carimbos.

Maria e Mário na Índia

Sabe que a história dela na Índia foi no mínimo inusitada, em 1939 ela e o filho Mário partiram pra cidade de Madra, no leste do país, hoje a cidade se chama Chennai. O plano era passar alguns meses lá ministrando cursos e dando palestras, normal. E qual foi o evento marcante que começou mais ou menos nessa época? Sim, a segunda guerra mundial. Em meados de 1940 a Itália entra na guerra ao lado dos alemães e, automaticamente, a Inglaterra passa a ver qualquer pessoa de origem italiana, tanto no Reino Unido quanto em suas colônias como inimigos, incluindo a Montessori e sua família na Índia, que acabaram sendo presos por isso. Houve um apelo popular e Maria acabou sendo liberada, no entanto, Mário continuou preso. Nesse momento, na intenção de que ele fosse liberado,  Montessori acabou dizendo para as autoridades indianas que Mário era na verdade seu filho, e foi assim que todos ficaram sabendo que aquele rapaz que a acompanhava nas viagens não era um sobrinho distante como eles costumavam dizer. Mário foi liberado e eles ficaram então por 6 anos no país, entre 1939-45, ela capacitou mais de 1000 professores nesse período.


Um dos mercados que poderiam proporcionar a Montessori um ótimo crescimento era o estadunidense. Ela foi pra América pela primeira vez em 1913, mas alguns anos antes disso ela já era conhecida no país, a primeira Escola Montessoriana nos EUA foi aberta em 1912, em Nova York, era pequena, somente 12 alunos de altas classes sociais sob a tutela de Anne George, a primeira professora desse tipo do país. Um jornalista chamado Mr. McClure, que publicava artigos sobre a italiana na McClure 's Magazine, também contribuiu para sua popularidade, seus livros foram traduzidos para diversas línguas, inclusive  para o inglês e português, enfim. Ela começa a ter um reconhecimento internacional desde 1908, pouco depois do Lar das Crianças começar a funcionar em Roma.

 

Ouça esse episódio na íntegra clicando abaixo:

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Luan Gustavo
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Estudante de medicina em Santa Cruz, Bolívia. Apaixonado por livros, história e esportes.

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